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Publicado em agosto 22nd, 2011 | por Milena Moraes

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ACEITA AÍ

E em um dia de sol na Ilha de Santa Catarina o moço foi pedido em casamento.

Da maneira mais simples possível. Ok. Já que a situação é insustentável e que chegamos à conclusão que é melhor você vir pra cá, pra facilitar nossa vida a gente pode se casar. Os papéis saem mais rápido, você pode trabalhar. À primeira vista pode parecer pragmático demais, beirando o grosseiro e sem o menor romantismo… Mas nem tanto assim.

Enquanto entrava nessa relação, a mocinha de 24 anos saía de outra bem complicada e não queria arrumar mais uma tão cedo. E ela sempre demonstrou maturidade precoce. Na sua de infância, não se respondiam questionários eletrônicos porque as redes sociais não eram virtuais, e no lugar do formspring havia os “cadernos de enquete”. Esses cadernos passavam de um amigo para outro com perguntas que iam de “qual sua banda favorita?” a “o que você acha da dona do caderno?”, passando por “com quantos anos você vai casar?”. E bem, ela respondia a essa última questão com “28 anos”.

Para suas amigas de 13 anos, aos 28 ela já seria praticamente uma velha. Essa mocinha nunca pensou em casar na igreja, muito menos de branco. E assim pediu o doce, engraçado e atraente mocinho em casamento dessa maneira tão simples e prática.

O aviso aos pais dela foi feito por telefone. Para o restante da família, por email. Quando esteve no país dele, nesse intervalo entre o pedido e a concretização do matrimônio, teve a oportunidade única de passar por uma situação com os pais do moço. Eles perguntavam para ela da certeza que tinham no casório e diziam que, se assim quisessem, de fato seriam muito felizes. Em outro momento, ao ser perguntada pelo próprio pai se estava feliz ela disse que sim, que chegava a ter medo da altura de tanta felicidade, que esperava não haver tombo, caso contrário ficaria tetraplégica.

Essa mocinha nunca pensou em casar na igreja, muito menos de branco. O aviso aos pais dela foi feito por telefone. Para o restante da família, por email

O moço estava prestes a fazer como muitos de seus amigos quando a crise argentina de 2001 afetou o pequeno Uruguai: se mudar para a Europa. Mas ele mudou foi de planos ao se ver caído de amores pela mocinha, trocando oito emails por dia em tempos de poucos e caros computadores pessoais e em que quase não se usava MSN, estourando mutuamente com a mocinha uns cinco cartões de crédito para poderem se ver. Ele chegou a fazer um voo como clandestino na cabine de um avião comercial, sem poder descer da aeronave em solo brasileiro, só pra fazer uma surpresa para a mocinha, que como ele era aeroviária e tinha ido receber “justamente” este vôo na pista, tascando-lhe um beijo de três minutos e o abraço mais apertado do mundo dentro da minúscula cozinha do avião. Isso num 23 de dezembro, como presente de Natal, após quase um mês e meio sem se verem. E ele acabou trocando uma das capitais mais europeias da América do Sul pela Ilha do Desterro.

Eles se casaram em uma sexta-feira 13, ela de lilás, ele de sandálias de couro. Estiveram presentes família, o pai dele e o dela ainda vivos, poucos e bons amigos, bolo, espumante e a sensação de ser um para o outro o único homem e mulher da face da terra.

Assinaram o papelzinho no cartório e vivem felizes desde 2002.

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Sobre o Autor

Atriz, produtora e sócia da La Vaca Productora de Arte. É drama queen por natureza (imaginem quando for mãe) e vai da comédia à tragédia em segundos, "na arte e na vida".



9 Responses to ACEITA AÍ

  1. Ana Flávia says:

    Linda história!Digna de relato!

  2. Juliana Gast says:

    Conheço esse lindo casal! Milena uma mulher como poucas…e muito divertida! Admiro muito! Beijos aos dois!;)

  3. Juliana says:

    Fofo!!!
    E eu li a história sem me ligar no Milena Moraes lá em cima… No meio do caminho foi um “opa! conheço essa gente ai!”
    bjssss

  4. Simone Igino says:

    Nossa que maximo… digno de cinema!!! bjs

  5. Milena Moraes says:

    A trilha sonora era a chefe de equipe dizendo: Vamos a liberar el embarque! rs

  6. Claudia says:

    Show, nasceram um pro outro! hehe

  7. Rosi says:

    só eu imaginei a cena do avião com trilha sonora? adorei, Milena!

  8. Daniel Olivetto says:

    Cinderala Contemporânea de Botucatu! Adorei!

  9. Luisa says:

    Ai, que liiiiiiiiiiindo!

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