Descomplicadas

Publicado em junho 9th, 2014 | por Maju Duarte

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CURTIR OU DESCURTIR?

Hoje eu tomei uma providência com quatro pedras de gelo e um dedo de água tônica. Assim mesmo, amarga, ela desceu pela garganta.

Foram anos de bisbilhotice, achismos e correntes do bem no tal do “book” onde ficamos “face to face”. Bem mais que uma simples desistência ou suicídio na rede social mais popular do mundo, a escolha por cair fora desse barco não foi de supetão.

Quanto tempo gastei – refleti durante alguns meses – com esse cenário de fantasias? Quantas horas do dia deixei de caminhar pelas ruas, de conversar com amigos-amigos, de ler outros tantos livros e reconhecer que, entre curtir e descurtir não havia mais nada ali de concreto. Só recados, pensamentos, desamores e imagens ao léu.

Era eu quem ficava à deriva, esperando o próximo acontecimento extraordinário a arrancar um sorriso, um gesto de indignação ou a sensação fugaz de pertencer, por algumas curtidas, a um só grupo. Mera ilusão… Não era eu quem estava ali. Só a sombra de um alguém inventado.

Não curto, nem descurto, nem bloqueio ou fico a postos em qualquer inbox. Fecho as abas e simplesmente vou dar uma volta off-line

Sai. Desativei. Não te bloquei, fique certo. Simplesmente percebi que já não mandava longos e-mails. Minhas cartas, então, ficaram armazenadas no meu próprio acervo antropológico de vivência humana na Terra. Ufa! Tampouco marcava um teatro, uma conversa de botequim ou ligava para checar se a voz daquela minha “amiga” que não via há tempos estava mais rouca, triste ou grávida de novidades.

Estou tranquila. Serena. Não saio de mãos abanando. Nem posso dizer que um dia, aquele dia que jogamos lá para frente na esperança de que ele nunca chegue, eu volte ao pertencimento dessa teia pseudosocial. Não. Não sei como será o amanhã. Nem peço conselhos aos gurus da informática para saber se fiz a melhor escolha nesse mundo cão e competitivo de trabalho que me obriga a estar conectada nesse tête-à-tête virtual.

Quero simplesmente acreditar que, antes tarde do que nunca, me dei conta de que estava em pleno sonambulismo. Falo por mim. Por favor, não interpretem de forma generalista. Não quero mais essa dispersão de alegrias e de solidão em bits e bytes. Quero andar lado a lado com algo concreto, algo que possa ser compartilhado de fato. Não curto, nem descurto, nem bloqueio ou fico a postos em qualquer inbox. Fecho as abas e simplesmente vou dar uma volta off-line. Te encontro por aí…

[Foto: Ivana Vasilj]

 


Sobre o Autor

Jornalista brasiliense de sangue pernambucano e espanhol, ela jura que é a Velma do Scooby-Doo, mas é tão avoada quanto a velha surda da Praça é Nossa. Cuma?



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