Descomplicadas kat-1-sidebar-b

Publicado em novembro 27th, 2013 | por Maju Duarte

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#FAÇAAMORNÃOFAÇALULU

Sente-se! Que tal um café e um pedaço de torta? Sinta-se confortável na poltrona, por gentileza… Precisamos de um dedo de prosa.

Vamos falar sobre um aplicativo cujo nome maldiz outras Lulus que, por aí, vagam tristes com o termo que clonou um carinhoso apelido de infância. Aliás, não se fala – ou se tecla – sobre outro assunto. Neste momento, os homens estão cabreiros, enquanto as mulheres estão afoitas para cotar o último romance. Aquele que não retornou as três últimas ligações ou o ex-namorado, que já se mandou para o mundo com a leveza de quem fecha um capítulo sem peso na consciência.

Gongados, os rapazes recebem notas e comentários que revelam nada mais, nada menos que um certo amargor feminino. Quisera fossem construtivos se ditos, e benditos, na hora. Mas não. O aplicativo criado pela e para “a mais pura diversão” se transformou em uma máquina de disparar tiros certeiros com sabor de vingança.

#maisbaratoquepaocomovo #ruimdecama #bafodecaosarnento #naoliganodiaseguinte

e por aí vai…

Lançado em fevereiro nos Estados Unidos, o app já conta com mais de um milhão de adeptos americanos e, em poucos dias de estreia no Brasil, virou líder de downloads. Claro… A imprensa não perdeu tempo em manchetar revistas e periódicos com Lulu em capslock. Entrevistam-se as protagonistas e os coadjuvantes, revoltados com a propaganda tendenciosa postulada virtualmente. Para reverter a situação, os rapazes encontraram uma brecha e já conseguiram apagar os próprios perfis (não por eles criados, obviamente), mas avaliados pelas usuárias.

O que nos cabe é compreender a grande questão por trás do aplicativo: para que levantar uma plaquinha pública com nota de desempenho do cara? Sexo ruim para você? Foi também para ele? O que “beija mal” para uma, cara colega, “beija gostoso” para outra. Ou será que fomos feitos para nos encaixarmos, todos, como peças únicas de um quebra-cabeça?

Tenho uma amiga prudente, senhora de seus desejos mais libidinosos, que revoltada com o Lulu me fez a seguinte pergunta: onde foram parar as deliciosas conversas de café ou de botequim em que as mulheres tanto prezavam contar – aí sim – umas para as outras, intimidades, desapontamentos e gozadas homéricas? Pelo visto, elas não bastam ou estão fora de moda. E lá se vai toda essa energia de encontros e desencontros desperdiçada em bits e bytes.

Ao final, ficarão chupando o dedo sem poder trazer aos braços o homem que cotaram semana passada. Nem adiantará esbravejar aos quatro ventos em hashtags embaraçosas que ele não te ligou. Porque a necessidade de expor uma intimidade com as “amigas” no Lulu servirá apenas como um prato frio e cru para a apressada e vingativa moçoila.

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Sobre o Autor

Jornalista brasiliense de sangue pernambucano e espanhol, ela jura que é a Velma do Scooby-Doo, mas é tão avoada quanto a velha surda da Praça é Nossa. Cuma?



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