Descomplicadas hurricane

Publicado em maio 27th, 2011 | por Milena Moraes

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FURACÕES

“Como dar conta dos trilhões de coisas a fazer em um dia”, “Como lidar com a vida estressante e a busca do rótulo de mulher perfeita na contemporaneidade em um dia”, “Como dividir e organizar seu tempo para a vida inteira em um dia”.

Pensando em buscar na literatura de auto-ajuda algo do tipo, só me vem um ditongo à cabeça: “Ai!”, em um centésimo de segundo.

E não me venham com resposta que remeta à teoria da relatividade. Tudo NÃO é relativo, a começar pela máxima que diz que tudo o é. Ou seja, o tempo NÃO é relativo. Quantas vezes o relógio – o biológico ou a versão de pulso do Dumont – é implacável e joga dois ponteiros na sua cara enquanto o dos segundos ri?
Na atual conjuntura da vida da pessoa que vos fala o tempo é ABSOLUTO. Talvez com a maturidade, ou elevação espiritual a ser conseguida no Caminho de Santiago de Compostela (não, nunca pensei em ir), eu passe a achar que não.

Eu relativizei as coisas e o tempo. Na verdade isso deve acontecer depois de passada a fase do miolo do furacão – se é que ela realmente passa. Sinto que do jeito que a coisa anda, e graças à decisão de viver da profissão escolhida, nunca sairei do miolo do furacão. Só saltarei de miolo pra miolo. O que está garantindo é uma vida sem rotinas, em busca incessante por possibilidades, repleta de desafios. É muito bom saber e estar seguro do próprio poder de agarrar e tornar concreto algo que existiu somente no maravilhoso e prolífico plano das idéias, das suas próprias idéias!

Graças à decisão de viver da profissão escolhida, nunca sairei do miolo do furacão. O que está garantindo é uma vida sem rotina

Tudo muito lindo, mas voltando ao miolo, ou olho, ou qualquer outra sugestão do que seria o meio de um furacão… Enquanto a pessoa vai tendo idéias, fazendo boas parcerias, correndo a mil, o feijão vai queimando, como diz meu amigo Malcon. E a parte mulherzinha da história chega agora. Se você foi educada para ser uma mulher responsável por uma casa e se você é home officer (o que te permite trabalhar de óculos e calcinha, mas pode te fazer sentir culpada por não lavar a louça). O feijão vai queimando, a casa vai sujando, a ginástica (ou a corrida, ou o pilates, ou a academia) vai pra vala comum das ações postergadas. Sou absolutamente contra a procrastinação no trabalho. Mas em casa…

Digamos que minha mãe viesse do interior de São Paulo de surpresa para me visitar, por exemplo. Instalá-la-ia em um albergue sem pensar duas vezes. Deve estar mais habitável que meu apartamento. Desencanei. Não dá pra fazer tudo. A casa sofre. Embora a ideia de super mulher esteja arraigada no meu ser, eu não sou uma. E a casa vai sofrer as conseqüências. Decidido!

Voltando à filosofia barata da moça aqui, aproveito para citar outro amigo: Turnes diz que o importante é se importar com o que realmente importa. E isso é muito mais profundo do que a literalidade de um feijão queimando. Tenho que praticar essa máxima, puxar o freio de mão e buscar a serenidade.Como faz tudo isso, mãe?

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Sobre o Autor

Atriz, produtora e sócia da La Vaca Productora de Arte. É drama queen por natureza (imaginem quando for mãe) e vai da comédia à tragédia em segundos, "na arte e na vida".



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