Descomplicadas comer-rezar-amar-02

Publicado em outubro 25th, 2010 | por Revista Naipe

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IGUAIS AOS CARAS

[Por Cibele Godoy]

Quem não alugou Comer, Rezar, Amar? Você aí que tem só 20 aninhos pode não se emocionar com a história de uma quase quarentona que larga tudo e fica um ano viajando pelo mundo.

Eu, que tenho 28, me empolguei com a narrativa, já queria pegar um mochilão e me mandar por aí!

Mas quero falar aqui, minhazamiga, de uma parte hilária do filme que atinge, segundo o IBGE (que criei agora), uns 99,9% das indivíduas dos 15 aos 50 anos, de todo esse mundão velho sem porteira.

Liz Gilbert começa a namorar um cara após o fim do casamento. Um cara linnndo!!! Ator, meio falido, meio iogue, meio lindo de morrer. E os amigos dela, de longa data, bebem umas e outras em um jantar e soltam a pérola:

– Liz, sabe quando dizem que o cachorro se parece com o dono? Pois você se parece com seus namorados, está a cara dele (falaram o nome do bofe-escândalo cujo nome eu não lembro).

Ou seja, minha querida leitora: a mulher começava um namoro e ficava igual ao cara. Sabe como é?

Você se apaixona por aquele atlético-acéfalo da academia. Ele só fala em supinos, shakes, proteínas e músculos. Não dá duas semanas você compra uma roupinha nova para malhar, vai à academia de segunda a segunda. Não toma mais chope com as amigas porque malha até 23h. Inventa mil malabarismos para encantar o Schwarzenegger, combinam uma prova de triatlon no fim de semana, encararam uma maratona (não sexual, uma real mesmo, em que pessoas correm quilômetros, cansam e tudo mais, que me cansa só de descrever).

Você se apaixona por aquele atlético-acéfalo da academia. Ele só fala em supinos, shakes, proteínas e músculos. Não dá duas semanas você compra uma roupinha nova para malhar

Oh, o namoro com o bofe triatlético acabou? Que pena. Lá vai você se entupir de batata-frita e chope. Resolve que nunca mais pisa numa academia. Começa a gritar palavras de baixo calão aos rapazes que correm na Beira-Mar. Chora uns dias, jura que n-u-n-c-a mais vai se apaixonar. Novo round. Próximoooooooooooo!

Aí você se apaixona para toda vida (nos próximos dias) por aquele gatinho que está estudando para o mestrado. Ele lê uns autores que você só sabe escrever se o Google pronunciar. Você googleia NÍTICHE e o oráculo sabe-tudo mostra a grafia correta para impressionar a nova presa. Resolve usar óculos, comprar umas roupas que caem bem, sem parecer patricinha. Fica quase uma Simone de Beauvoir dos novos tempos. Ele chega na sua casa com um DVD de um documentário iraniano e você corre lá pra jogar debaixo do sofá as temporadas completas de Sex and the City.

Tem aquela que vira vegetariana e começa a frequentar um templo budista. A outra que tatua o nome do bofe e muda o cabelo. A que vai do blues ao heavy metal em dias. Enfim. Todas nós, produtoras de hormônio feminino, que sangramos todo mês e sofremos de TPM, um dia na nossa vida insana já pensamos em mudar para nos adequar a um novo amor.

Mas eu tenho uma boa nova: assim que você se conhecer melhor, curtir sua persona com todas as expertises (aprendi o termo com um bofe que era administrador), assim que você escolher a sua verdade (aprendi com outro cabloco que era zen-budista), automaticamente suas relações serão assim: você e outro; com diferenças, vontades e anseios distintos.

O problema é que só descobrimos isso bem mais tarde. Quase no mesmo período da descoberta do antirrugas mais eficaz. Quando já não temos mais essa carinha lisa e esse corpinho de sereia.

Mas a vida é essa. Então carimbe o passaporte e vá descobrir quem é você! A viagem é bem interessante.

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Sobre o Autor



6 Responses to IGUAIS AOS CARAS

  1. Gabriela says:

    Texto muito bom! Parabéns! E é bem verdade, não devemos nos perder no meio do caminho!

  2. Marcelo says:

    Exidium disse tudo.
    Isso se aplica a todos os relacionamentos (amorosos ou não) e vale tanto para homens quanto mulheres. Aliás, a meu ver, é assim que nos criamos e nos transformamos. Pois, nos conhecer é pouco, não estamos prontos ainda. Temos que nos criar – destruir – construir e transformar. Bom texto.

  3. Naipe says:

    Lu

    Já nos chicoteamos 140 vezes cada um por aqui. Erro arrumado.

    Abs,
    A redação

  4. Lu says:

    “Na NOSSA vida insana, um dia já pensamos em SE adequar ao namorado.”
    Fui só eu que vi o erro de concordância (que consta, inclusive, na capa do clic rbs)?
    Professores de português, socorram a naipe!!!!

  5. Jorge Jr says:

    Tô preocupado. A minha mulher não gosta de futebol. Ela é uma das 0,1% do início do texto.

    ¬¬

  6. exidium says:

    Achei bem interessante esse artigo, mas digo que isso não se aplica apenas a relacionamentos: as pessoas se espelham, também, em amigos, pessoas que odeiam e celebridades, que representam o super-ego da pessoa, ou seja, o desejo de se tornar algo que não é.

    Apesar de ser uma falta de identidade, acho isso um processo normal, desde que não seja exagerado. Sempre aprendemos com outras pessoas e absorvemos certos comportamentos que julgamos interessantes para nós mesmos.

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