Descomplicadas midnightsex_dentro

Publicado em setembro 8th, 2011 | por Revista Naipe

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O PINTO AMIGO

Sejamos práticas. Às vezes a gente tá a fim de ficar sozinha.

Fechar pra balanço, discutir a relação com nosso umbigo, pegar balada com o amigo gay. Namorar livros, começar projetos, mergulhar na faculdade, whatever. Fazer coisinhas agradáveis que podem ficar de lado quando estamos num relacionamento sério. O único porém é a falta de assistência à nossa pobre preciosa.

Ela é como um animalzinho de estimação, precisa de constante atenção e carinho. Há também o lado terapêutico do negócio. Nada como dar umazinha pra aliviar as tensões cotidianas. Aí entra o famoso pinto amigo, ou simplesmente PA. Ele está lá pra dar um apoio nos momentos de carência e necessidade, pra tirar do rosto aquele semblante “dormi de calça jeans”.

Há, contudo, que se ter critério. Promover um amigo a PA quase nunca dá certo. Um se interessa pelo outro sem que o outro se interesse pelo um, daí já viu, acaba-se a amizade e você continua precisada. Mais seguro é eleger um conhecido, atentando para alguns detalhes.

Fazer gostoso é pré-requisito, desnecessário dizer. É desejável que ele seja carinhoso, afinal, ninguém quer se sentir um pedaço de bife. As coisas devem ser honestas: ele sabe que é só aquilo, você sabe que é só aquilo, um está lá pro outro e todos são felizes assim. É bom não fazer parte dos mesmos círculos sociais. Um não fica sabendo das ciscadas do outro e dissabores são evitados. E que a compatibilidade seja apenas física. Se há muita afinidade, o coração, intrometido, logo quer participar.

É bom não fazer parte dos mesmos círculos sociais. Um não fica sabendo das ciscadas do outro e dissabores são evitados. E que a compatibilidade seja apenas física

Se há ímpetos de vasculhar o Facebook dele, ou ficar monitorando cada tuitada… sai dessa, amiga, nada de gastar energias com isso. Evite sofrimento e procure alguém menos interessante, de modo que você consiga fazer uso do pinto sem se envolver com a pessoa em anexo. Totalmente sem apego, livre de ciúme, olha que coisa leve.

Virginia Woolf, sem saber, descreveu o PA ideal: “A natureza o havia dotado de um forte vigor animal, mas havia negligenciado equipá-lo com um cérebro”. Viril, varonil e imbecil: perfeito. Chega uma hora na vida em que a gente tem de decidir qual cabeça é prioridade no momento, a de cima ou a de baixo. Mulher adora cair de amores por homem inteligente, e apaixonar-se pelo PA não é o objetivo.

Talvez um dia você acione o disque-pinto e ouça: “Ih, hoje não vai dar… é a final do campeonato”. Da mesma forma, acontecerá de ele te contatar e receber um “Já combinei com as amigas, honey”. O importante é que na próxima oportunidade vocês vão suar e uivar juntinhos. Sem birra, sem pirraça, sem joguinhos. Bem melhor que aquele seu ex que te trocava por Winning Eleven, não acha?
Se quiser evitar essa verificação de disponibilidade, dá pra marcar um horário fixo. Só tome cuidado pro lazer não virar obrigação. Domingo, fim de tarde, é um dia ótimo. Você não ia fazer nada mesmo, no máximo curtir uma deprê com o Faustão. Já começa a semana bem e enfrenta a segunda com humor de sexta-feira.

Daí, quando você encontrar um cara legal, é só rescindir o contrato com seu PA, grata pelo serviço prestado. Se ele arranjar uma gatinha bacana e quiser ficar de boa, tudo bem, tem pinto aos montes por aí. E caso vocês se cruzem na rua, vão acenar sorrindo, ressentimento zero, no hard feelings.

É uma troca sem perdas, “eu te uso e você me usa”, win-win. Simples, como as melhores coisas da vida.

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6 Responses to O PINTO AMIGO

  1. Dayane says:

    Essa matéria me lembrou do filme “Sexo sem compromisso”.
    Interessante… Acho até bacana, só não sei se na pratica da certo!!!!

  2. Luiz says:

    Não acredito nisso, sempre teremos algum sentimento…esse tipode relação acontece com pessoas desconhecidas…uma noite e nada mais…manter o mesmo cotato não rola.
    Já tentei algumas vezes e não consgui.

  3. Marilsa says:

    Achei a matéria super interessante, mas lembrando que as mulheres que estão começando a usar o PA devem saber o que realmene querem, mulheres são sensíveis e dificilmente conseguem manter uma relação só de sexo, mas creio que muitas tentam disfarçar e esconder seus reais sentimentos e interesses….o problema são os homens que não valorizam os envolvimentos emocionais, quanto ao Lorenzo pergunto: tem certeza que vcs sentem carência????

  4. Guilherme says:

    fuck-friends. Não da pra viver sem.

  5. Lorenzo says:

    […] 2

    Das pessoas que fazem uso dessa forma de prazer, poderiam me explicar o porquê? Por aquela carência que toca na porta de todo mundo de vez em quando, naqueles dias mais solitários? Reitero que não estou criticando.
    A impressão que me atinge é de que a mulher é usada (talvez seja ela mesmo que esteja usando o PA, ou os dois mutuamente), mas aí eu caio naquela velha mentalidade machista de que homem pode ser promíscuo e mulher não. Naquela velha mentalidade de que o certo é casar com a menina virgem, inocente, e não com a menina que já teve várias experiências, mesmo que esta última seja mais certa e tenha motivos pra ter tido as ditas experiências. Que fazer?
    Jogar fora a nóia?

    To me pegando direto pensando nisso…
    Gostei do texto, btw.
    Abraços.

  6. Lorenzo says:

    1
    Não consigo gostar por completo desse estilo de vida; me refiro à fuck-buddies e promiscuidade, nesse sentido. (Não que eu seja algum puritano/falso moralista/hipócrita).
    Respeito, como deve ser, mas me bate um grande pesar saber, por exemplo, que a minha atual namorada já teve PAs. Entendo que não é algo que eu deva ficar pensando, pois não é das coisas a mais interessante de saber – se é que isso deveria ser do meu conhecimento. […]

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