Descomplicadas autoconhecimento

Publicado em maio 27th, 2012 | por Luisa Nucada

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OLÁ, PRAZER ME CONHECER

Quem é você? O que você quer? Do que você gosta? Em que acredita? No que você é bom?

Num belo dia você está ali vivendo, se depara com uma dessas respostas e se sente incrivelmente sortudo por isso. Noutro nem tão belo assim, algum aspecto da vida se contorce num ponto de interrogação e o chão some debaixo dos pés. O que você está sentindo, o que quer mudar em si mesmo, que renúncias valem a pena? A dúvida incomoda, a incerteza aflige, a instabilidade desespera e pede uma pesquisa interna, uma investigação pessoal e intransferível do eu.

Sentir-se bem na própria pele. Quem não quer? Conhecer-se é o caminho para se respeitar, ficar confortável com as próprias crenças (ou descrenças), objetivos e preferências. O auto-entendimento também ajuda a ser mais consciente sobre o outro, mais compreensivo com o diferente, menos prepotente. Sem querer, impomos à vida alheia nosso conceito de prioridade, mediocridade, ambição. Julgamos e valoramos o tempo todo, sem nem perceber. Mas para aceitar a diversidade é preciso aceitar-se primeiro.

Sem querer, impomos à vida alheia nosso conceito de prioridade, mediocridade, ambição. Julgamos e valoramos o tempo todo, sem nem perceber.

Parece absurdo, não deveria, mas é tão difícil saber o que se quer. A família cobra uma coisa, seus amigos esperam outra, o namorado pede isso, seu meio social exige aquilo e, de repente, você busca e anseia algo, mas, peraí, era isso que eu queria mesmo? Às vezes, o egoísmo é a escolha certa. Ouvir e seguir o que está pulsando no peito, sem preocupar-se em decepcionar alguém. Ceder demais é anular-se, amputar-se, é auto-agressão.

O clarão para aquele aspecto obscuro, o alívio para a angustiante interrogação pode vir através de insights, epifanias, revelações. Elas são acionadas por diferentes mecanismos: um filme, uma música, yoga ou mesmo uma conversa elucidativa com alguém interessante.

Um desses mecanismos é a solidão. Não necessariamente estar solitário, mas sozinho, desconectado, longe dos milhões de estímulos que nos impedem de olhar para dentro. Viajar sozinho, caminhar sozinho, passear sozinho, sumir num período sabático. Esvaziar a mente e perder-se na ausência de interferências até se encontrar.

Frustrações, pés na bunda e fases ruins são potencialmente reveladores pra quem está disposto a enxergar. O sofrimento é como a dor física e sua função biológica. É um alarme piscando: tem algo errado, fica ligado, tem algo errado. É aquela hora em que o socorro não pode vir de fora, a decisão de tomar uma providência ou acomodar-se só cabe a nós mesmos.

Há um poder e uma liberdade incríveis em estar infeliz: quem tá na merda não tem nada a perder. Está pronto pra começar do zero, quebrar padrões ou mandar ciclos viciosos pra rehab. Pronto para se reinventar.

Descobrir-se, invadir-se, virar-se do avesso pra ver o que tem dentro, por que não? Independente de fé ou ceticismo, seja com leitura, psicoterapia, meditação, O Jogo do Eu. Ou escrevendo um diário. Estou convencida de que é um ótimo exercício de autoconhecimento desde que li uma frase na parede do museu Casa de Anne Frank. Uma sentença simples e até simplória, sem pretensão de ir parar nos grandes livros de citações, mas portadora de qualquer coisa notável:

“I know what I want, I have a goal, I have opinions, a religion and love. If only I can be myself, I’ll be satisfied.”

Danada. Muitos passam a vida inteira sem saber, mas, com 13 anos, ela já tinha todas as respostas.

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Sobre o Autor

Goiana, cruza de japonesa com baiano, estudante de jornalismo. Alimenta-se de histórias e escoa aqui e em www.anucadadisse.blogspot.com sua tagarelice mental.



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