Descomplicadas benharper_slide9

Publicado em agosto 31st, 2012 | por Fabiana Deggerone

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TER QUE SER TUDO

Hoje em dia, temos que ser tudo.

Tem que ser feliz no relacionamento pessoal, ter sucesso profissional, ser “sarado”, fazer a dieta da moda, entender de vinhos e agora também de cervejas, saber qual a melhor atividade física para o seu desempenho, saber três idiomas, fazer apenas as mais incríveis e melhores viagens, ter muito dinheiro, tocar um instrumento musical e ter uma reputação ilibada.

Como diria o manezinho “só no feicibuqui, né quiridu!” Ah, sim, e se você tiver superado um super problema pessoal, como perder peso, sair da depressão, sair da classe C (essa está suuuuper na moda), livrar-se do estresse, pagar a dívida do cartão e ainda superar uma doença, aí sim, o heroísmo está garantido.

Mas e as pessoas normais? Nós, que não vamos à academia ou museu, só lá de vez em quando, que nunca precisamos fazer dieta, que os filhos gritam no supermercado, que nunca quitamos uma dívida, que gostamos de comer “a la minuta?”, tomar Skol e sangue de boi? Bom, eu e você, os comuns, vamos ficar tentando parecer tudo aquilo no Facebook. Mas lá no fundo vamos continuar sendo apenas comuns.

Viagem é uma viagem e pronto. Você vai, se diverte, algumas coisas dão errado. Bebida é bebida, eu bebo aquilo que gosto, o quanto gosto e com quem gosto e pronto. Exercício é exercício, vai lá, faz a tua academia e me deixa em paz

Acho a maior graça das pessoas que tentam fazer as coisas simples parecerem o máximo. O Facebook elevou isso a um patamar impressionante! Não canso de me surpreender com as pessoas fazendo comentários elogiosos sobre… si mesmos, suas coisas, suas proezas! Viagem é uma viagem e pronto. Você vai, se diverte, algumas coisas dão errado, volta e mostra as 1200 fotos que tirou para os seus amigos super pacientes. Bebida é bebida, eu bebo aquilo que gosto, o quanto gosto e com quem gosto e pronto. Exercício é exercício, vai lá, faz a tua academia e me deixa em paz aqui vendo a minha novela (sim, eu admito e afirmo, adoro ver novelas, bem tolas, bem bobas, tente, é bem engraçado).

E o que dizer dos “neo-gourmets”? Não que eu não goste de comer bem, meu marido manda super bem na cozinha, mas falar de suas proezas culinárias como se fosse a “última sensação do Cordon Bleu” só porque fez um risoto de abobrinha com brie me dá enjoo…

Já entendeu, né? Pra mim, estamos vivendo na época do superlativo. Até viver de forma simples e descompromissada virou superlativo. Até pra relaxar tem que se ter estilo e glamour.

Vamos voltar a ser comuns, poder sentir preguiça, ter frustrações e fracassos, ignorar algumas coisas sem nos sentirmos estúpidos, deixar nossos filhos terem defeitos, e, principalmente, não dar bola para o que os outros pensam sobre você. Ficar em casa sem fazer nada, ler gibi, ver blog de piadinhas, sites de fofocas, desenhos do pica-pau. Isso não é falta de amor próprio, não é acomodação, não é negligência. Isso é ser normal. Todos têm defeitos, até a Sandy, só que ela não conta pra ninguém. Você não precisa contar os seus defeitos, mas também não precisa exacerbar ou inventar qualidades que não tem. Afinal, comer dobradinha e arrotar caviar até pode deixar algumas pessoas impressionadas, mas eu tenho pena.

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Sobre o Autor

Gerente de marketing da Apex Distribuidora, mãe em tempo integral e escreve alguma coisa de vez em quando.



3 Responses to TER QUE SER TUDO

  1. Marcelo says:

    A onda da perfeição dominou o sistema. – Todos em busca dela -.
    Quem não é, fica por fora. Não está na moda ser humano!!!
    Experimente cancelar seu facebook!!!

  2. Adorei o texto! Direto e reto, exatamente como é a verdade hoje em dia…

  3. Mariane says:

    Muito bom o texto! Vamos aguardar os próximos…

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