16 HORAS NO NORTE DA ILHA

Para quem não está hospedado no norte, um passeio incluindo as melhores trilhas da região pede que se acorde muito cedo – algo como 6h, para cumprir sem fila os 38 e 40 km que separam o centro das praias Brava (foto) e do Santinho e depois caminhar no mato sob menos calor.

É claro que para os baladeiros a hipótese pode ser irreal. E nem muito bem-vinda. Você não quer ver lagartos. Quer ver gente e vai direto para os paradores de Jurerê (ver p.56 do guia). Mas também lembre de ir cedo: saídas tardias para lá podem tomar mais de duas horas do seu dia e 98% da sua paciência.

Duas das trilhas têm saída no Santinho e levam ao isolado costão esquerdo da Praia do Moçambique – dos 9,5 km da praia, a maior da ilha, os 3 km desse canto não são acessíveis por carro.

A Trilha do Morro das Aranhas, a primeira delas, dura em média uma hora, tem bifurcação que leva ao topo do morro e é a melhor para se apreciar a vista. Começa no canto direito da Praia do Santinho, passa pelo Museu Arqueológico e segue pelo costão em um caminho bem marcado e com bonitas paisagens do mar e das Ilhas das Aranhas. O percurso é tranquilo e sem grandes aclives. Só se recomenda, em caso de chuva no dia anterior, não usar aquele seu sapato bonito – há trechos encharcados com a lama não raro indo até a canela.

  • Este texto é do Guia Naipe de Verão 2012. Leia mais, nas p. 48 a 63, sobre os lugares citados aqui.
  • Clique aqui para ver onde encontrar o guia impresso, que é gratuito.

Para subir até o topo do Morro das Aranhas, em vez de ir para o Moçambique, há uma placa naquela bifurcação do início da trilha. Esse caminho toma quase uma hora e é todo em subida, às vezes bem puxada. A 250 metros de altura há outra bifurcação. Seguindo à esquerda, avistam-se Moçambique, Barra da Lagoa e o lado norte da Lagoa da Conceição; à direita, as praias do Santinho e dos Ingleses.

O segundo percurso que leva à Praia do Moçambique dura pouco mais de meia hora e é mais curto e objetivo que o primeiro. Se trada do Caminho da Lomba do Ingá, que contorna o lado de dentro do Morro das Aranhas. Começa no final da estrada Vereador Onildo Lemos, em meio às construções do Costão do Santinho Resort, e segue por percurso fácil que passa por uma lagoa e trechos de dunas.

Estando com bom preparo em até meia hora passa-se pela Pedra do Rapa, uma das mais altas e das poucas livres de vegetação no percurso. Dali você contempla o pedaço de mar mais ao norte de Florianópolis

Em até meia hora passa-se pela Pedra do Rapa, uma das mais altas e das poucas livres de vegetação no percurso. Dali contempla-se o pedaço de mar mais ao norte de Florianópolis

Outra opção de trilha sai da Lagoinha de Ponta das Canas, passa pela Ponta do Rapa e leva até o costão esquerdo da Praia Brava. A trilha começa ao final da R. Cônego Walmor Castro, a última à direita na Est. Jornalista Jaime de Arruda Ramos, antes do costão direito da Lagoinha. Já a pé, são dez minutos até uma bifurcação. À direita começa uma subida bastante íngreme, mas estando com bom preparo em até meia hora passa-se pela Pedra do Rapa, uma das mais altas e das poucas livres de vegetação no percurso. Dali contempla-se o pedaço de mar mais ao norte de Florianópolis. Adiante, o caminho fica menos cansativo, dois pequenos portões de madeira surgem e, sem nunca pegar desvios, você chegará a um descampado de onde é comum se pular de asa delta e de onde se contempla principalmente Cachoeira do Bom Jesus, Ingleses e Brava. Pausa para um piquenique de ermitão. Depois, é decidir seguir até Praia Brava ou voltar.

Tarde 

Como complemento a qualquer uma das trilhas, são muito bem-vindos dois museus e um restaurante.

Quem fez as trilhas saindo do costão direito do Santinho inclusive já terá passado pelo Museu Arqueológico, que na verdade é um caminho com placas que identificam as inscrições rupestres ali há mais de 5 mil anos. Uma delas é o desenho que deu origem ao símbolo do Costão do Santinho Resort.

A 2,5 km dali, em outro costão direito, o da Praia dos Ingleses, o Museu dos Brunidores segue a mesma lógica, mas em vez de inscrições tem oficinas líticas, rochas que eram utilizadas para confeccionar instrumentos e outros artefatos de pedra. Acredita-se que o objetivo era a construção de barcos para se chegar às três ilhas avistadas da praia – entre elas a do Anhatomirim, onde é confirmada a presença de homens primitivos.

Para o almoço, fique por ali. Ligue e reserve o quanto antes sua mesa no Recanto dos Brunidores (p.59) para comer naquele que talvez seja o melhor restaurante ilhéu de frutos do mar.

No meio da tarde, duas opções bem distintas atraem: os já mencionados paradores de Jurerê e Santo Antônio de Lisboa, bairro notório pelo por-do-sol apaziguador. Passeie sem pressa entre o casario colorido desta comunidade que já em 1698 recebeu imigrantes, em 1752 foi fundada e em 1756 teve inaugurada a Igreja de Nossa Senhora das Necessidades.

Quase um século depois, em 1845, Dom Pedro II e Thereza Cristina visitaram a igreja, doaram 400 réis para sua manutenção e ali perto pisaram na primeira rua calçada de Santa Catarina – feita especialmente para recepcioná-los, como comprova a placa com azulejos na Praça Roldão da Rocha Pires.

Noite

Mais tarde, os próprios restaurantes de Santo Antônio são ótima pedida. Dos abertos em 2011 à espagueteria com quase uma década e mesas no jardim, você estará muito bem servido.

Outra opção é, a apenas 2 km dali, experimentar a dupla Café François e Paradigma Cine Arte, que oferecem os sanduíches e filmes mais qualificados da cidade.

Em Jurerê, as festas nos paradores podem se prolongar até 22h. Fora deles, o Estação 261 terá festa a partir desse horário com a proposta de pegar o fluxo de saída. Para festas maiores, o Complexo Music Park é a escolha inapelável.

 

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