21 HORAS EM BOMBINHAS

Sim, existe a inhaca do trânsito.

Os 15 km de SC-412 que levam da saída da BR-101 ao final da Praia de Bombinhas entopem, desmotivando muita gente a circular por lá. Mesmo à noite, em caso de festa no Bali Hai ou mau humor do acaso, há filas daquelas de os passageiros descerem dos carros.

Este conteúdo é do Guia Naipe Verão 2012. Leia o guia online.

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As soluções? Vá muito cedo, volte muito cedo. Estenda o jantar, volte de madrugada. Encoste o carro e junte-se aos baladeiros com som no porta-malas. Faça um luau na Praia da Tainha. Monte sua barraca no camping da Praia do Retiro. Tente vaga em uma das inúmeras pousadas locais – há 41 neste link, e em um curto espaço as ruas Tainha e Salemas, uma ao lado da outra, oferecem oito.

Só não deixe de conhecer Bombinhas, que não à toa recebe, nas suas 18 praias, quase 200 mil turistas por verão.

Manhã

No caso de engarrafamento na ida, fuja à esquerda 7 km após a saída da BR-101. Nada mau para um improviso: a quarta praia da sequência, Estaleiro, ainda em Porto Belo, é uma faixa de 150 metros de areia com água vívida. Depois de estacionar só é preciso vencer uma trilha inclinada de cinco minutos. Na praia há muitas famílias, especialmente de argentinos. Para menos gente em volta, passe o fácil costão e chegue a um pedaço de areia separado, com água também clara – e ótima para banho, embora não para mergulho, por causa das pedras.

Quem não pegou aquela esquerda chegará naturalmente às vizinhas Bombas e Bombinhas. Principais praias da área, elas sofrem de excesso de guarda-sóis e justificam a visita mais pelo comércio multitemático. Vamos supor que você já está bem aparatado e pode deixar as duas para lá.

Atente ainda, no sopé de um morro, para quatro isoladas praias consecutivas – Ponta Grande, Vermelha, Triste e da Lagoa. Todas são acessíveis só por trilhas e meio esquecidas pelo universo

Afaste-se para a da Tainha. No caminho para lá fica um atrativo clássico, o Mirante Eco 360°. Por uma taxa de R$ 2, sobe-se alguns lances de escada e chega-se ao topo do Morro do Macaco, 153 metros acima do nível do mar. De lá se avista uma breve faixa de terra separando duas de areia. Também dá para ver, nos dias claros, partes de Florianópolis e de Governador Celso Ramos. Atente ainda, no sopé de um morro, para quatro isoladas praias consecutivas – Ponta Grande, Vermelha, Triste e da Lagoa. Todas são acessíveis só por trilhas e meio esquecidas pelo universo. A Triste, uma enseada, pede 1h30min a pé. Com os devidos cuidados, amigos, mantimentos e equipamento, acampe por lá.

No próprio mirante também é possível fazer uma tirolesa com 200 metros de extensão (R$ 35).

Na Praia da Tainha, guardada entre dois morros, apenas 266 passos na areia separam os costões e o verde piscina da água gosta de posar para fotos. Mas deixe de ser mazanza e mergulhe, em vez de ficar fotografando. A imagem para o Facebook você pode tirar depois – da varanda cor verde-papagaio, o restaurante Por do Sol tem a melhor vista panorâmica da Tainha. Para acompanhar, há opções como ostras no vinagrete (R$ 25 a dúzia).

Tarde

O pós-almoço tem alternativas díspares – festa em parador, mais praia, mergulho mais tarde. Para praia, você pode sair da Tainha e visitar Quatro Ilhas. Com mar de tombo, ela se torna menos convidativa para famílias e atrai de surfistas àquele pessoal novo que cogita arranjar seu lado em plena luz do dia. Na orla, boa estrutura de serviços.

A festa em parador é a do Bora Bora Beach Club (Av. Beira-Mar, Praia da Conceição; 47 3393 3801), uma estrutura contrastante com a simplicidade da praia onde fica. Depois de ter a casa em Ibiza, o DJ Gee Moore abriu esta casa para festeiros chegarem por terra, mar ou ar (há atendimento nas lanchas e heliporto) e dançarem em cima das mesas (reforçadas, garante). Animam as até 2 mil pessoas nas camas, espreguiçadeiras, piscina e 25 camarotes DJs nacionais e gringos de porte, como o inglês Nick Warren na virada e o próprio patrão, que se pavoneia de já ter sido residente “nos sete melhores clubes de Ibiza”.

E tem o mergulho, quase sinônimo de Bombinhas – a Ilha do Arvoredo, uma reserva ecológica, é considerada um dos melhores pontos para a prática no Brasil. Uma escola que te leva para devanear entre peixes e cavalos marinhos é a Patadacobra (Av. Vereador Manoel José dos Santos, 215; 47 3369 2119), que também passeia nos mares da Prainha e das praias do Estaleiro, da Sepultura e do Ribeiro. O complexo tarifário das muitas opções de mergulho você vê clicando aqui.

Para o fim de tarde, veja o sol se pondo frontalmente nas breves praias da Sepultura e do Retiro, uma ao lado da outra.

Noite

Podendo gastar aquele tanto a mais, não hesite: o restaurante da Pousada Ganesh (R. Salema, 231, Centro; 3369 0018; restaurante, diariam., a partir das 19h30), aberto ao público, não é um japa qualquer. Tem iguarias como o niguiri Gunkan, bolinho de arroz enrolado em alga e coberto com ovos ikura (R$ 18 o par). Para algo mais acessível, tente o temaki Salmão Ganesh, com molho de ostras (R$ 13). O restaurante não trabalha com festivais, mas combinados como o Krishna (R$ 64, 32 peças, sendo 10 sashimis) matam a fome de dois clientes não muito pantagruélicos.

Na beira da praia, a 200 metros dali, há uma opção de frutos do mar mais elaborada que a média, o restaurante Mestre das Águas (costão direito da Praia de Bombinhas; 9903 3453; diariam., das 9h às 3h). O ambiente nem aí e o papel plastificado do cardápio podem não sugerir, mas para comer há itens como o Dourado ao chutney de mangas e pistache (R$ 60 para dois, R$ 35 individual), além de salmão, polvo, moqueca e 13 diferentes pizzas feitas na pedra – incluindo a 4 mil queijos (R$ 35, para duas pessoas).

Para fechar o passeio, na vizinha Porto Belo o Bali Hai é o destino. Há outras três unidades em Santa Catarina – a primeira, de Piçarras, já com 18 anos. A questão é dar a sorte de ter festa no dia: até o fechamento deste guia, apenas nove estavam marcadas em Porto Belo. Nas pistas, aquela paella de house, pop, sertanejo e hip hop. Entre o público não há quase nenhum alternativo, mas o Bali Hai também não chega a ser um habitat playboy. Festeiros que carregam apenas a bandeira de festar são a espécie dominante.

 

 


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2 Responses to 21 HORAS EM BOMBINHAS

  1. Janaisa Port says:

    Adorei esse post, qual o nome dessa pousada e/ou hotel (primeira foto).

    Obrigada,
    Jana

  2. Bruno says:

    Quanto ao morro do macaco, é possível, através de uma trilha de aproximadamente 30 minutos de caminhada, chegar a outro ponto, com uma vista ainda mais bela, ficando exatamente no meio da faixa de areia que divide as praias da foto 8.

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