Na rua benharper_riozinho_dentro

Publicado em fevereiro 7th, 2011 | por Revista Naipe

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A BONANÇA

Alberto Souza foi um dos oito mil sortudos da noite do último sábado.

Assistia ao Skol Music Festival descalço, só de bermuda. Alheio aos protestos e perrengues externos que atravessaram a semana e chegaram à manhã daquele dia, bebia com amigos. A música de Ben Harper e uma refrescante garoa caíam sobre o público extasiado.

– O clima tá inexplicável.

Caroline Adornes e seus dois amigos vieram de Porto Alegre só para o festival. Parte dos azarados com cadeiras e isopores pela praia, os três não conseguiram ingressos. Ela queria mais decibéis do show e estranhou a falta de telões.

– Não foi isso que prometeram? Achei tudo muito mal divulgado e organizado, nível 7 de frustração.

A polícia alegou que, com os telões, as 5 mil pessoas na praia no sábado seriam 15, 20 mil – o que iniviabilizaria o trânsito.

Athaíde Silva, presidente da Associação de Moradores do Campeche, organizou protestos e gritou alto contra a realização do show em área de preservação ambiental. “A Prefeitura dá atenção a eventos de grandes corporações e faz pouco caso das necessidades da comunidade durante o ano. As dunas do Campeche viraram mictório”.

Teve quem visse em atitudes assim o medo de ser feliz e chamasse Athaíde de bunda-mole. Teve quem visse nos protestos um excesso de mau humor.

– O sul da ilha nunca tem nada. Quando tem, fazem essa palhaçada [de tentar impedir o evento] – treplicou, antiprotestou Pedro Inácio, um nativo de meia-idade do Campeche.

Pães com linguiça

Por causa de protestos na sexta e dos rumores da semana, no sábado o Bope foi chamado, a Skol suou mais do que talvez pretendesse e tudo fluiu. Inclusive o trânsito. No domingo, a Naipe foi ao Campeche via Lagoa e simplesmente não parou atrás de nenhum carro até estacionar perto do show. Mesmo na saída, tudo sossegado.

No sábado, cambistas amadores tentavam pegar os incautos pedindo até R$ 200 por um ingresso. Os experientes não ousavam pedir mais que R$ 50. No domingo, sobraram mais ingressos e a coisa toda estava mais fácil.

Chinelos de dedo, bermudas de tactel e cabelos duros pela água do mar chegavam ordenadamente ao Riozinho, prontos para assumir seus lugares na frente do palco ou na areia da praia. Os vendedores ambulantes estavam em polvorosa desovando suas garrafas de vodca, energéticos, cervejas, pães com lingüiça, dogões e crepes.

Lá dentro, o clima era quase de camping. Havia espaço para andar, pegar cerveja estava fácil, o banheiro não era a coisa medonha de sempre. Nada de brigas.

Lá fora, as pessoas que acreditavam em um megashow de praia se resignaram com o som ambiente e vista para o mar.

– Tudo funcionou, resumiu uma morena sorridente e gostosa vestida meio de joaninha, com a irmã. Eram 20h40 do domingo, Ben Harper já havia terminado o show e as duas seguiam dançando ludicamente sob a chuva.

Volta a beber

No sábado, a transmissão do show de Ben Harper teve pico de 40 mil acessos no site da Skol. Não à toa. Se no começo o público estava mais lento que as guitarras da banda, foi só o cavanhaque tocar She’s only happy in the sun e rolou uma catarse. Pelinhos do braço se eriçaram e Ben Harper até parou o show. Teve quem visse lágrimas nos olhos do rapaz. Ao final da apresentação, o cantor se passou.

– Foi a plateia mais fantástica pra qual já toquei. A que tem o melhor ritmo para bater palmas. Sempre no ritmo perfeito.

O show teve uma hora e meia. No domingo, foi um pouco mais curto, mas não menos tantalizante. O público já estava empolgado com hits como Burn one Down, Diamonds on the Inside e a mistura de músicas pulantes e românticas do cantor americano quando Vanessa da Mata subiu (como no sábado) ao palco para fechar o show. As namoradas foram para os ombros dos respectivos para um grande coro de Boa Sorte/Good Luck.

Teve quem já estivesse emocionado antes. Uma bêbada na fila da cerveja urrava que iria cantar Walk Away e Shill my kisses

. Ao fundo soavam os hits bem dançantes de Donovan Frankenreiter, que estava cheio dos “solamente” e “mucho obrigado”, foi pros braços da galera e voltou, no show de Ben Harper, para uma palhinha.

De polêmica, só a iniciativa de Harper de vestir e não tirar mais, no show domingo, uma camiseta 9 do Avaí jogada no palco. Torcedores do Figueirense vaiaram nos primeiros segundos e ficou por isso.

Ah, Armandinho e Tom Curren também estavam lá. Armandinho levou os petelecos, resmungos e aplausos de sempre. Para Tom Curren houve uma crítica mais excêntrica.

– Ele devia voltar a beber – disse uma jornalista.

 

 

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