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Publicado em junho 17th, 2010 | por Revista Naipe

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CINÉFILOS E SALGADINHOS

É quarta-feira e os editores da Naipe se molham com uma chuva pesada no centro de Florianópolis. Querem escrever sobre cineclubes.

Segundo a enciclopédia Britânica, cineclube é um “grupo formado para estudar a arte do cinema com discussões” que ocorrem depois da exibição de filmes “censurados, estrangeiros ou experimentais”. Na vida real, cineclubes são pequenas salas de cinema que quase ninguém sabe onde ficam, mesmo que elas sejam constantemente mencionadas nos guias culturais ao lado das salas de cinema dos shoppings.

A Naipe chega ao Badesc. O estudante de Cinema João Ferraz está saindo da sala. Não gostou dos curtas espanhóis? “Entrei no lugar errado. Minha professora disse para virmos num cineclube do centro, mas não é esse.”

Não gostou dos curtas espanhóis? “Entrei no lugar errado. Minha professora disse para virmos num cineclube do centro, mas não é esse.”

A sala do Badesc está com 21 dos 48 lugares ocupados. Na tela, um caminhoneiro dá uma longa carona a uma mulher. Um espectador hipersensível gargalha no meio das frases. O diálogo é bom mas o filme acaba subitamente. O hipersensível diz a um amigo que gostou do final. O amigo protesta que não houve final. Os 21 espectadores aplaudem.

Bolinhas de queijo

Na Fundação Catarinense de Cultura a sala está cheia, com cerca de 50 pessoas – João inclusive, agora no cineclube certo. As cadeiras acabaram e 15 dos espectadores estão em pé. O clima é de comemoração por causa do resultado de um prêmio da Funcine, o Fundo Municipal de Cinema de Florianópolis. Os filmes da noite são os premiados.

O curta mais esperado é “E.T., o Emissário da Terra”. Um emissário chega “a um mundo muito lógico, onde as pessoas se comportam de forma maquínica e acaba no hospital. Lá, ele passa a pregar o Evangelho”.

Essa é a sinopse na internet, e também a que fez a diretora de arte do filme para os editores da Naipe depois da exibição. Sem consultá-las, talvez disséssemos “emissário com sotaque gaúcho vai parar em lugar futurista esquisito e faz coisas inexplicáveis”.

Quando o filme termina, a Fundação brinda a todos com vinho, refrigerante, espetinhos de frango, mini-pizzas calabresa, bolinhas de queijo, quibes, pasteis de carne, salgadinhos de camarão. A Naipe logo garante os seus.

Algum dos filmes estava melhor que as bolinhas de queijo?

“Que o espetinho de frango não”, garante Bruno Andrade, estudante de Cinema e amigo de João.

Vocês frequentam cineclubes?

“O último filme do Scorsese é anódino”, diz Bruno. “Anódino”, repete. “A Coca-cola tá numa jarra, vai perder o gás”, lamenta Thiago Ramos, outro aluno de Cinema. João sorri.

No dia seguinte, o cineclube visitado é o Victor Meirelles, no centro, que exibe o excelente documentário “Espírito de porco”, de 50 minutos. Após a sessão, um dos diretores conversa com a plateia. Como nos outros casos, tudo gratuito. Ótima noite, melhor que qualquer bolinha de queijo ou espetinho de frango. E sem emissário nenhum.

  • Esta matéria foi originalmente publicada na revista Naipe 1. Para ler a revista online clique aqui.

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