CURUMIN E A SELVA

[Fotos: alexandrecardinal.com]

Esgotou ingresso nos pontos de vendas, esgotou ingresso online. Houve quem chegasse cedinho, com medo de não conseguir comprar nem na hora. O combo lançamento do álbum Arrocha do “multi-instrumentalista” Curumin mais abertura dos Skrotes encheu o Célula Showcase em uma noite de muitas atrações boas pela ilha.

Rolou aquele atraso básico, mas a cachacinha de mel e a discotecagem inspirada de Gustavo Monteiro compensaram. Para lubrificar a galera, teve de Chico Buarque e Gilberto Gil a Baiana System e Planet Hemp.

Depois de uma cuidadosa passagem de som, Curumin chegou cumprimentando: “Nessa selva eu tô suave, então salve”. Empolgadaços, muitos responderam de mão para cima e acompanharam com decibéis elevados a primeira música da noite. “Bem no limite do estranho e do muito bom”, opinou alguém.

A composição do palco já entregava que aquilo podia ser tudo, menos convencional. A bateria à frente, ocupando o lugar dos vocais, era o trono de um Curumin escoltado por guitarrista e baixista pra lá de afinados

O evento reuniu desde fãs inveterados a curiosos que ouviram que “o cara é foda” e foram checar de perto.  A composição diferente do palco já entregava que aquilo podia ser tudo, menos convencional. A bateria à frente, ocupando o nobre lugar dos vocais, era o trono de um Curumin escoltado por guitarrista e baixista pra lá de afinados.

Miscelânea definia bem, desde a apresentação até o público. Tudo valia naquela selva e a bicharada estava mesmo solta. Um grupo de corinthianos exaltados não parava de saudar o timão e a “corinthiana doente” da música Guerreiro. Casaizinhos entrosados promoviam shows particulares. Um cabeludo cantava de olhos fechados, viajando numa piração própria. Do hippie ao hipster, a fauna era diversificada e cada um curtia à sua maneira.

Um dos pontos altos da noite foi o funk Caixa preta, que não ficou devendo nada para nenhum batidão carioca. Rendeu alguns “por isso eu não esperava” e levou as mais desinibidas a descer até o chão. O show todo foi chacoalhante, de fazer dançar sem intenção nem percebimento.

Pelo protocolo, os Skrotes iriam abrir, mas a noite não estava para regras e o trio acabou fechando bonito o show que não deixou dúvidas: Curumin é mesmo foda.

 

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Sobre o Autor

Goiana, cruza de japonesa com baiano, estudante de jornalismo. Alimenta-se de histórias e escoa aqui e em www.anucadadisse.blogspot.com sua tagarelice mental.



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