Na rua DSC_2511

Publicado em dezembro 24th, 2012 | por Stefano Maccarini

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ENCONTRO MELOMANÍACO

Tinha tudo pra ser mais um sábado de marasmo nos altos da Praça XV.

Fora os corre-corres natalinos que sucediam do outro lado da praça, velhinhos jogavam dominó, pombos mergulhavam em busca de pão e visualmente tudo indicava mais um final de semana pacato naquela área da cidade. Do outro lado da rua, contudo, num casarão colonial onde se lia um cartaz “Feira do Vinil Apresenta Mais Rock”, um grupo de jovens quebrava a rotina com intervalos de jazz e rock’n’roll. O velho piso de madeira estava ornado com caixas de vinis dos expositores que tinham idade para estar, justamente, jogando dominó.

A Feira do Vinil de Florianópolis, ocorrida em meados deste mês em Florianópolis, reuniu desde adolescentes nos seus 14 anos caçando discos do ACDC e Rush a colecionadores vindos de outras cidades em busca de preciosidades da música brasileira (como um disco do Tamba Trio em perfeito estado) a versões importadas de relançamentos que chegavam até bandas atuais (caso de um Best Of do Foo Fighters).

Muito já foi dito quanto à superioridade da gravação analógica, que torna o vinil preferido por musicômanos que não conseguem conviver com música convertida para o padrão digital. Mais que apenas a diferença auditiva, o expositor Adriano Mateus Rosa credita a nova onda de popularidade do meio à experiência ritualística de ouvir música, segurá-la e botar o disco pra tocar com a própria agulha. Para libertar o total potencial sonoro dos discos, é necessário uma aparelhagem que, somando caixas de som, prato e mesa de som, beira os R$ 2 mil.

Expositor e dono da loja virtual Baú do Pirata Discos, Leandro Rosa diz que o público que aumentou vertiginosamente desde 2005 e procura, na maioria, por discos de clássicos do rock e música brasileira, com menção honrosa para Dark Side of the Moon do Pink Floyd, encontrado por módicos R$ 30. Esse público recorre não só a feiras e sebos mas também à internet para suprir a baixa oferta na cidade. Também importam vinis para fugir das altas taxações que os lançamentos internacionais sofrem ao chegar no país

Com entrada franca e som proporcionado ora pela coleção pessoal dos colecionadores, ora pelo rock sólido e barulhento da banda Movimentação Cadavérica, a feira movimentou o quase morto centro da cidade. Apesar da fraca divulgação, os frequentadores são fieis, e além de fazer bons negócios e escutar boa música, aproveitam para encontrar amigos.

Para comprar

Em Florianópolis a Roots Records, no ARS, é a única loja física que com um acervo de vinis novos e usados bem cuidados. Na internet, o site Loja de Discos reúne o principal da compra-e-venda de discos no Brasil. Da ilha, procure pela Pro-Vinyl e Baú do Pirata Discos.


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Sobre o Autor

Fotógrafo wanabe, estudante de engenharia, baterista sem ritmo, acha que morar fora do Brasil é bom mas é uma merda, e morar no brasil é uma merda mas é bom.



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