Na rua endelesssummer_capa

Publicado em março 22nd, 2011 | por Revista Naipe

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SONÍFERA ILHA? NÃO MAIS

Não há como negar. Musicalmente, foi o mais lindo dos verões ilhéus. Florianópolis ainda se espreguiça, mas acordou.

Quatro festivais maiores, dois bons festivais alternativos (veja abaixo), uma marca histórica. Enquanto no verão 2010 houve apenas o problemático Planeta Atlântida, show da Beyoncé e ralas iniciativas dispersas, no verão que acabou ontem a coisa mudou. Teve de Ben Harper gratuito no Campeche a atrações locais num festival em que se podia escolher quanto pagar. Mesmo nos demais os preços não foram ofensivos – ingressos iniciais de pista variavam entre R$ 50 e R$ 100. Bem menos que diversos shows do mesmo porte em São Paulo.

Sim, claro, lógico: Florianópolis garantiu tudo isso com reforço da fama de cidade-tendência-para-passar-as-férias. Talvez no inverno a ilha volte a cochilar. Ou não, segundo o colunista da Contracapa do Diário Catarinense e connoisseur da cena ilhoa Marcos Espíndola. Ele anda soprando por aí que se cogita experimentar em terras manés algo na linha do paulistano Planeta Terra, no fim do semestre.

Até lá, resta ouvir a voz dos apocalípticos pregando o cataclismo na mobilidade urbana e afins caso a tendência prossiga. A pergunta: estamos preparados?

– A questão não é se a cidade tá preparada. Em termo de visibilidade, mainstream, Santa Catarina tá mandando melhor que Paraná e Rio Grande do Sul. Temos agora é que procurar soluções – inquieta-se Espíndola.

Para ele, uma das saídas é abolir ímpetos megalomaníacos de juntar 30 mil pessoas. Manter públicos de 8 a 12 mil, caso de três dos festivais recentes, seria a melhor aposta para evitar o caos sem perder boas atrações Se concretizado, o evento na linha Planeta Terra deve seguir esse conceito de algo menor, mas bem organizado.

50 mil almas

Surf music, soul, rock local, eletrônica, sertanejo. Do óbvio Luan Santana ao improvável Mayer Hawthorne, passando pela gigante Amy Winehouse, os ilhéus Skrotes, DJs graúdos e miúdos. O bufê foi extenso, mas rock de fora pouco se viu. A maioria das bandas segue ignorando Florianópolis no caminho entre São Paulo e Porto Alegre.

– O problema são os shows médios. Pro Vampire Weekend e o Kings of Leon sozinhos, não há garantia de público. E isso não é exclusivo de Florianópolis. No Brasil, só São Paulo garante esses shows com tranquilidade. Mesmo o Rio tem problemas com isso – observa o morador da ilha Emerson Gasperin, que editou a extinta revista nacional de música Bizz e foi assessor de imprensa do Praia Skol Music Festival.

Os alardeados problemas de trânsito nem são a maior implicação dos festivais, avalia. Ele bem lembra que eventos corriqueiros com mais de 10 mil cabeças, como jogos do Avaí e rangaçais pré-carnaval, ocorrem sem a mesma tensão da vinda de grandes músicos.

O que falta à ilha, lembra, é um local adequado para grandes shows – o Planeta Atlântida, festival com maior público do verão (estimativas bastante variadas, entre 30 a 56 mil pessoas nos dois dias), foi em cima de uma pista de kart.

A novidade é o Venice Arena, um espaço que anuncia comportar 50 mil almas, com inauguração prevista para junho. Nenhuma garantia de uma escala de Paul McCartney na próxima vinda ao Brasil. Vamos com calma. Mas vamos lá.

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Como foram 

Summer Soul

Clímax – Mayer Hawthorne cantando Your easy lovin’ ain’t pleasin’ nothin’, Janelle Monáe espevitada e Amy Winehouse, mesmo trôpega, retomando os palcos em Florianópolis
Anticlímax – Uma hora e meia de sono suarento na fila de saída do show

Planeta Atlântida

Clímax – Show do Monobloco e a tenda e-planet, com um line up carinhoso
Anticlímax – A salada nonsense do restante do elenco

Creamfields

Clímax – O graúdo telão principal e o vídeo mapping, uma parada baita anunciada como o futuro da tecnologia nos festivais de eletrônica
Anticlímax – O acinte dos R$ 50 pelo estacionamento

Praia Skol Music

Clímax – O trânsito que fluiu como um riozinho e o clima de camping vagamente riponga no show do Ben Harper
Anticlímax – O rolo danado pra conseguir ingressos e a crise nervosa na cidade antes de o show acontecer

Escute

Clímax – Mostrar o bom trabalho dos grupos locais e claro, o vanguardismo de deixar o público decidir quanto pagar
Anticlímax – Gente não pagando nada e a atmosfera meio balada-qualquer-sábado, sem chamarizes específicos de festival

Grito Rock

Clímax: integração da cadeia produtiva como nunca antes visto em Santa Catarina 
Anticlímax: para shows fora da UFSC, se reacostumar ao preço da cerveja fora da universidade

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