Na rua DSC_1294-Edit-3

Publicado em novembro 13th, 2012 | por Léo T. Motta

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ENSANDECIDOS

[Fotos: Stefano Maccarini]

Se essa cobertura fosse padrão, ela provavelmente começaria sugerindo que você, leitor, tente conceber que oh-meu-deus existe uma banda oh-tão-obscura que mistura punk e música celta.

Mas esse papo é velho, já. Melhor, velho não: experiente. São pelo menos duas as grandes bandas do gênero, Flogging Molly e Dropkick Murphys, ambas fazendo muito sucesso do começo dos anos 2000 pra cá e com mais de um milhão de fãs no Facebook cada. A principal diferença entre as duas é que a Flogging Molly fez um show sensacional em Floripa e a Dropkick não tocou em terra brasilis. O show sensacional foi outro dia mesmo, semana passada (dia 8), no John Bull da Lagoa.

Empresto aqui as palavras d’um entusiasta em release jogado na Wikipedia, que dão uma boa dica sobre o som do FM: é como se fosse uma banda de punk rock tocando com uma banda de folk tradicional irlandês, ao mesmo tempo e dialogando perfeitamente entre si. Tira-se a parte elétrica e cada verso contém uma bela alma acústica e folclórica; tira-se a parte mais erudita e o que se ouve é, basicamente, rock sujo e rápido.

São ainda mestres da dinâmica; nem por um segundo, apesar da forte identidade da banda, a trupe de Dave King chega perto de esbarrar na mesmice. Nem ao insistir na repetição de refrões, cantados em coro e brindados por muitos. Fizeram da Lagoa casa, já desde o dia anterior, quando compareceram ao John Bull para assistir os lendários Slackers, banda nova-iorquina de ska.

Nem por um segundo, apesar da forte identidade da banda, a trupe de Dave King chega perto de esbarrar na mesmice. Nem ao insistir na repetição de refrões, cantados em coro e brindados por muitos

Ao longo do show, muitas das músicas tocadas se mostravam verdadeiros hinos, com boa parte do público cantando do começo ao fim. Foi o caso de Black Friday Rule, em versão estendida com solo insano de guitarra, e também The Likes of you AgainDevil’s Dance Floor e Drunken Lullabies. Enquanto o foco era no palco, o contexto garantia o resto da vibe condizente, tanto pela decoração quanto pelo ambiente aconchegante. Apesar das colunas e mesas, a frente do palco era constantemente tomada por muita gente dançando ensandecida. O único problema do pub, segundo o vocalista Dave King, é a falta da tradicional Guinness. Pelo visto nada de tão sério, pois pôde ser visto alternando entre as marcas de cerveja disponíveis. Já pra mim, o único problema é que se eu tomar todas as cervejas que um show desse me dá vontade, saio falido e direto pra onde me derem glicose na veia.

Em algum ponto Dave King empunha um megafone e anuncia que tocarão uma música em homenagem aos amigos em NY, que têm tido problemas por conta do furacão Sandy; a canção que tocariam chamava Power’s Out, disse. Apesar da batida semelhante, instrumentação e arranjo propícios, não era a homônima do Arcade Fire, no excelente Funeral. Era, na verdade, uma das porradas do CD mais recente do FM, Speed of Darkness, do qual tocaram ainda a faixa-título. E com ela se encaminhavam para o final, já tardio, do show. No bis tocaram, ainda, a sensacional Float e o hit Salty Dog, além da bucólica Worst Day Since Yesterday.

A noite incrível, tomada por gente muito diferente entre si em festa pintada de verde, teria ainda encerramento por conta da banda de Supla e seu irmão, o Brothers of Brazil. Por algum motivo a apresentação foi cancelada e a missão de encerrar a noite ficou com a Weedless Summer, banda de BC que faz cover de Sublime. Como toda aparelhagem – e não só o backline – precisou ser trocada, incluso aí bateria completa e todos os amplificadores, a ideia de que o segundo show começaria no mínimo às 3h se instalou na cabeça. Não bastasse, era quinta-feira; o único show que sobrou, depois da maestria celta do Flogging Molly, foi na memória, onde segue acontecendo por muito tempo.


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Sobre o Autor

Cidadão da terra, não-jornalista e proto-publicitário, mais feliz longe de música depressiva e blues engraçadinho. Assistente de conteúdo d'O Sol Diário, assessor de comunicação da Casa de Orates e music supervisor nas horas vagas.



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