OCCUPY

 

 

Fotos: [Stefano Macarinni]

Não é todo dia que se vê o que aconteceu no Parque da Luz no último sábado: agasalhos tactel e calças skinny, piscina de bolinhas e deep house music, sucos de caixinha e Heinekens, todos convivendo harmoniosamente em um local que, geralmente, de harmonioso só tem o consenso de ser um dos espaços públicos mais subaproveitados de Florianópolis.

O OcupaSounds in da City, organizado pelos produtores Allen Rosa e Coy em parceria com o projeto Lagoa Social, foi uma espécie de versão aditivada do Sounds in da City, que ocorre regularmente na Beira-mar Norte. Além dos habituais DJs, houve projeções visuais, dança de rua, cinema infantil, brechó, piquenique, cama elástica e outros brinquedos para crianças.  A escolha do lugar levou em conta a quase invisibilidade do parque na cidade. Apesar da Associação de Moradores da região bancar jardinaria e manutenção, ele ainda é pouco frequentado – ao contrário do que se imagina, não é a prefeitura que cuida do local.

Fazer um evento desse tipo no Parque da Luz é também uma maneira de incentivar as pessoas a pensarem no potencial de lazer lá desperdiçado

Ocupar aquele espaço foi também uma maneira de incentivar as pessoas a pensarem no potencial de lazer lá desperdiçado. “Imagina se a ponte Hercílio Luz também fosse uma espécie de parque e as pessoas pudessem vir caminhando do continente até o Parque da Luz para passar um tempo aqui”, sonhou acordada uma estudante de arquitetura para a Naipe.

Ébrios de alegria

O clima brisa na cara e pé na grama estava tão inspirador que muitas pessoas adiaram ao máximo seu fim. Às 21h, ainda havia gente por lá. Como alguém bem definiu, todos ébrios de alegria.

“Espero que aconteça mais vezes”, suspirou uma das várias mães que à tarde aproveitava o primeiro sábado da primavera. Acostumada a piquenicar com a família em Coqueiros e no Horto Florestal, Mariana nunca havia pisado no Parque da Luz – em parte por falta de oportunidade, em parte por medo do local deserto. No sábado, porém, se empolgou com a quantidade de confirmações no evento do Facebook e convidou dois casais de amigos. Um deles se empolgou ainda mais e aproveitou o Dia Mundial Sem Carro para fazer o trajeto São José-Centro de ônibus, com os três filhos pequenos a tiracolo.

“Há interesse em fazer mais edições, não só no Parque da Luz, mas também em outros lugares da cidade”, adianta o produtor Allen Rosa. E comemora: “Ficamos muito felizes por conseguir alcançar o resultado que a gente esperava, o que não é fácil em Florianópolis”.

A divulgação foi feita principalmente pelo Facebook. No sábado, as confirmações de presença já passavam de 500. Foi lá, na página do OcupaSounds na rede social, que Allen comentou após o evento: “Durante o dia pensei a mesma coisa várias vezes: se existir um céu, que ele seja como hoje”.

Sem exagero: amém.

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