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Publicado em setembro 24th, 2010 | por Revista Naipe

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PANFLETAGEM SAFADA

[Por Jerônimo Rubim]

“Ô irmão, não quer subir pra conhecer as vagabunda?”, pergunta o mano de boné e piercing colorido no queixo, papel na mão.

Apesar da proposta tentadora, a Naipe nega o convite só para ser abordada dez metros depois por outro moleque, que oferece outro papel e sussurra: “Esse aqui só tem gatinha”.

Ser homem no centro de Florianópolis significa ser acossado por inúmeros entregadores de panfletos que prometem realizar suas fantasias em horário comercial. Entregadores que prometem “só coisa fina”, “trocadas de óleo” e “cantinho do mel” a partir de R$ 30.  Que te empurram papeizinhos com axezentos traseiros em fotos (ditas) reais da “Rainha do OT loira casada, viciada em oral total 100% completa” ou da “Shaiane seios fartos, olhos verdes natural”.

Correndo o risco de parecer um pervertido, o repórter aceitou os 14 panfletos oferecidos em uma breve volta pelo centro às 14h de uma quarta-feira. “A concorrência tá grande”, se espanta um entregador ao ver a miríade de papeizinhos acumulada. Aparentemente, os anúncios dão certo. “Levo de cinco a sete pessoas num dia”, garante Ricardo**, há dois meses guiando homens aos destinos luxuriosos  salas em prédios comerciais. Os horários de pico são 9h e 17h, e os clientes, sempre diferentes. “É desacreditável, irmão”.

Se o negócio vai bem para as senhoritas, não vai mal para seus ajudantes. Ricardo ganha R$ 40 por dia de trabalho, mais R$ 3 por cliente que, conduzido às salas, deita com as moças. “Tirei 90 conto sábado passado, irmão”, vangloria-se. Em duas semanas, seus rendimentos ultrapassam um salário mínimo.

“Vão broxar”

Querendo saber o que atrai tanta gente e já nem aí por parecer devasso à luz do dia, o repórter aceitou o convite de Ricardo e subiu pra conhecer a casa das “Belas gatas”.

Tudo dura 20 segundos: cinco mulheres vestindo apenas lingeries cheias de frufrus já estão em pé, esperando a escolha do cliente, na pequena ante-sala do apartamento; o sofá e as divisórias de plástico que separam os quartos são cinzas, e o lugar não tem cheiro; algumas das meninas têm barrigas salientes demais para a profissão. Não há o que conversar e elas estão apenas esperando que você escolha com qual quer se enroscar. Um outro cliente não escolhe nenhuma e a Naipe se retira com ele. Na saída, uma morena nos fuzila com as lentes de contato esverdeadas e pragueja:

Os dois vão broxar hoje.

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* Esta matéria foi publicada na Naipe 3. Clique aqui para ler ou baixar a edição.

** Nome fictício

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Sobre o Autor



12 Responses to PANFLETAGEM SAFADA

  1. Justiceiro says:

    E eu procurando namorada, ficante, mulher pra casar…
    Tão tudo ai na lida…
    Pior que sou presença, mas não sou rico…
    Então é isso, a vida como ela é…

  2. Aledb says:

    Um dia fui numa dessas casas e tbm tive que sair sem comer nada, só carne de terceira.

  3. Lucas Delleale says:

    Essas profissionais se cuidam mais que muitas menininhas filhinhas de família, com rostinho angelical e corpinho sarado que encontramos nas melhores baladas….

  4. ROssi says:

    Aids, Hepatite B, Hepatite C, HPV, Sifilis, Gonorreia, Herpes II, Condiloma acuminado etc por R$ 30,00.

  5. hiroito says:

    oi eu ja fui nas 14 salas…
    to esperando abrir a 15ª

    abçs!

  6. Edilson Sá & Souza says:

    DSTs, Aids, hepatites virais… o tratamento é bem mais caro do que R$ 30,00… Quando há tratamento! risos

  7. Fabio says:

    Pelas esquinas da internet fiquei sabendo que a casa “morde” 50% dos honorarios sexuais. Sendo assim 30 – 15% = 15.

    Essas moças alugam o corpo por R$15,00?? Acho isso muito estranho, o q se passa na cabeça dessas senhoritas? como elas enxergam a si mesmas? Vale uma segunda reportagem mas desta vez “entrando no interior” das moças! no bom sentido é claro!

  8. Thiago Momm says:

    Valeu pelo toque, Victor, já arrumamos na home do site. É verdade, ditongos abertos que são oxítonas não perderam o acento.

    Só avisando leitores que eventualmente ficarem com a dúvida, diminutivos – neste caso, papeizinhos – não levam acento.

    A Naipe

  9. Victor says:

    Utilidade pública: papéis continua com acento. Um abraço!

  10. Marinês Barboza says:

    Excelente reportagem.

    Mas não são só os homens que estão sendo abordados no Centro de Floripa. Outro dia recebi um panfleto também. A concorrência deve ser menor ou o mercado não é tão lucrativo para os garotos de programa. Será porque?

  11. Cristiano Ventura says:

    eu chego em casa com um monte destes panfletos e como sou ecologicamente correto, uso o verso para rascunho.

  12. Demétrio de Azeredo says:

    Tá, mas broxaram ou não? He! He! He! Brincadeira moçada: muito legam encontrar a revista de vocês. Longa vida à Naipe, pois!
    OBS. sacanagem o código-de-segurança-quase-invisível aí debaixo, né?!

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