Na rua shh1007capa

Publicado em novembro 29th, 2010 | por Revista Naipe

1

QUE SHHHHHH QUE NADA

[Por Jerônimo Rubim, com fotos de Adriano Debortoli]

A Naipe é a favor do vanguardismo sempre, mas havia uma certa desconfiança quanto à proposta da sexta no 1007.

Era a primeira vez que a festa do silêncio – aquela em que todo mundo recebe headphones sem fio para escolher a própria música enquanto a pista fica sem som – acontecia por aqui. Novidades podem ser recepcionadas com frieza, e, sinceramente, uma noite inteira com o fone na cabeça?

Na primeira meia hora de festa, algum estranhamento e sobrancelhas levantadas. À 1h, pulos, cantorias e gritos de “muda pro canal 3, o 3!” para os amigos. A novidade veio dar à praia, a novidade era o máximo.

Com 300 fones disponíveis, os baladeiros tinham a opção de três canais diferentes: pop, rock e eletro. Três DJs tocavam ao mesmo tempo. “É muito diferente não ter a resposta do público, não sei quem está me ouvindo ou se estão gostando”, reclamou sorrindo Dão, parte da primeira leva. Ele e mais 12 DJs se arriscaram nas pick ups durante a noite, tentando ler a pista. A opção de pular de uma faixa ou estilo para outro era como ter um mp3 na mão, com fones potentes na cabeça e visual de night à frente.

E se a proposta sem os fones era a de uma noite com baixos decibéis, deu errado. Tudo ficou barulhento, anárquico e insólito, cada grupo cantando uma música diferente ou gritando para ser ouvido. Nos vídeos das festas fora do país, o pessoal parece bem comportado. Na subversão brasileira que rolou na sexta, foi comum ser empurrado pelos saltitantes festeiros no meio da pista. “Empolga mais, dá mais vontade de ser ouvido”, explicou um imberbe loiro que não parou de pular e cantava Killers a plenos pulmões – enquanto boa parte da noite entoava Lady Gaga.

Teve disso. Depois que algum DJ espertinho pegou a veia pop de alguns grupos e não parou de disparar hits radiofônicos, outros não quiseram se sentir o patinho feio da noite. “Eu apelei mesmo”, admitiu Korova depois de mandar o combo funk que revelou alguns quadris de tufão. A algazarra passou para os canais, que já não respeitavam tanto a ordem de estilos. Cada um fez o que quis.

Mas aí também, ninguém prometeu filas indianas. E a zorra deu tão certo, num daqueles dias em que a as coisas simplesmente saem redondas, que Proudhon ficaria orgulhoso da anárquica bagunça feliz. O DJ Alê achou a noite “coisa do futuro”, e não foram poucos os pedidos para outras festas do silêncio em Florianópolis. Rômulo, habitué semanal, garantiu que era uma das melhores festas que o 1007 já promoveu.

Enquanto Ke$ha não animava no canal 2, o desconfiado repórter dançou, de olhos fechados, o eletro acelerado no 3.

Veja vídeo da Shh em Florianópolis, por Jenny Granado:

 

Tags: , , , , , ,


Sobre o Autor



One Response to QUE SHHHHHH QUE NADA

  1. IMplacável says:

    Cambada de imbecis!!!!

Subir ↑