Na rua floripaletradacapa

Publicado em novembro 26th, 2010 | por Bárbara Dias Lino

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TSC, TSC

Em agosto, estantes de livros grandes e amarelas começaram a aparecer nos terminais da cidade.

A iniciativa da Secretaria de Educação de Florianópolis, claro, é interessante, mas talvez não esteja funcionando como deveria. É raro presenciar uma devolução de livro ou encontrar alguém que já tenha visto as tais estantes cheias. Ao que parece, o que está acontecendo é que o sujeito vai lá, escolhe um exemplar e passa a chamar de seu.

O projeto Floripa Letrada já distribuiu mais de 6 mil títulos em via de mão única, sem retorno. A prefeitura agora está preocupada, mas fica na expectativa. O secretário de educação de Florianópolis, Rodolfo Pinto da Luz, orgulhoso do projeto, faz cara de pai iludido e diz ter esperanças sobre a devolução dos livros. Ele garante que é só demora.

Devem ter ritmo lento de leitura, consola-se.
Falta de ritmo ou de educação, vai saber. O fato é que, quando são reabastecidas, as prateleiras esvaziam rapidinho e logo voltam a ficar sem opções. Com um carrinho de supermercado, a equipe da prefeitura recheia as caixas amarelas e chama a atenção de quem está de bobeira esperando o ônibus. A socióloga da secretaria de educação Rosânia Tomaz diz que o formigueiro de gente que se forma em volta dos livros recém colocados só mostra o quanto as pessoas são ávidas pela leitura, o que falta é dinheiro.

Sacolão

Um, dois, três, quatro exemplares na sacola. O estudante Everton Augusto da Silva mal olhava o título e já pegava o livro antes que alguém se atrevesse. Ele parece ter mesmo gostado do projeto e acha importante, fundamental, essencial devolver os livros ao término da leitura – mas mora em Itajaí e não sabe quando fará isso.

Outro dia, uma fonte que não quis ser identificada especulou sobre o assunto. Disse que deve ter gente se aproveitando da situação para fazer dinheiro. Jurou de pés juntos que encontrou livros doados para o Floripa Letrada nas prateleiras de um sebo.

– Só podem estar roubando e vendendo, disse.

É meio difícil acreditar que alguém possa estar realmente lucrando com isso, mas alguma coisa está acontecendo ou vai acontecer. Quem sabe os leitores adquiram ritmo e os livros sejam devolvidos. Talvez a prefeitura comece a controlar a entrada e a saída dos exemplares. Há quem diga que o problema é que as pessoas são mesmo mal educadas e o sumiço é permanente. Não, não. Melhor acreditar que ainda estão lendo.

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Sobre o Autor

Filha, sobrinha, neta e tataraneta de comunicadores, aceitou seu carma e formou-se em Jornalismo. Apaixonada por arte e cultura, chegou a cursar um semestre de Teatro na Udesc, mas descobriu que seu lugar é na plateia.



One Response to TSC, TSC

  1. Shasça says:

    Já pensou que bom seria se o mundo fosse cheio de ladrões de livros?
    {8¬)

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