Indústria da música, funcionalismo público, cauda longa e Dinho Ouro Preto couberam no mesmo debate
Por Rosielle Machado, com foto de Adriano Debortoli
04/04/11
“Eu queria falar de uma coisa que as pessoas que me acompanham na internet já devem ter me visto falar bastante ultimamente”, disse o jornalista Alexandre Matias, e com voz grossa e rosto sério acrescentou: “Eu queria falar da Rebecca Black”.
Foi assim que teve início o último dia do Florianópolis Music Trends, evento gratuito sobre música e cultura pop que aconteceu no Sesc durante três sábados. No encerramento, dia 2, a discussão que começou com Rebecca Black* terminou com Justin Bieber, mas nem por isso deixou de ser instrutiva - e divertida.
E não era piada de palestrante. O editor do caderno de tecnologia do Estado de S. Paulo e do blog Trabalho Sujo, Alexandre Matias, usou o fenômeno Rebecca Black para ilustrar o primeiro showcase da tarde, sobre mídias digitais e novos processos de formação cultural. Segundo ele, o clipe da adolescente que já ultrapassou vídeos da Lady Gaga em número de views é o "melhor exemplo do estado das coisas pós-internet".
Seguindo o tema cultura, no segundo showcase promoters e DJs de Florianópolis falaram sobre três projetos ilhéus: a casa noturna 1007 Boite Chik e as festas Devassa e Plastique (o convidado que falaria das baladas promovidas no P12 não compareceu). Além da “eldivinização do 1007”, um novo conceito entrou na roda: a “milisetização do El Divino”, em referência à festa Surto, que tem um som que lembra muito o do ex-inferninho.
Às 18h30, o bate-papo sobre os novos caminhos da música digital parecia show de stand up comedy. Sabe-se lá como, os convidados Alexandre Matias, Emerson Gasperin, Fábio Bianchini e Marcos Espíndola conseguiram misturar no mesmo debate temas como profissionalização musical, indústria da música, redes sociais, discos de ouro, funcionalismo público, movimento pós-punk, teoria da cauda longa e Dinho Ouro Preto. Esse último, concluiu-se, adotara o estilo grunge quando o grunge sequer existia e, portanto, merece passar a ser chamado “Dinho, o visionário sem talento”.
E esse não foi o único insight. Houve outros tão inspirados quanto, algo não muito surpreendente em uma conversa que passou ainda pela ideia de se lançar cotas para artistas independentes e por uma reflexão sobre o documentário Never Say Never. Para o jornalista e ex-editor da revista Bizz Emerson Gasperin, há duas mensagens no filme: “A primeira é que o Justin Bieber é de verdade, um menino que veio lá de uma cidadezinha do Canadá [do Canadá!, exclamou alguém da plateia] e se tornou esse sucesso; a segunda é que, apesar da fama, ele continua sendo um cara legal, que come pizza com os amigos”.
Quem perdeu o dia mais descontraído do Music Trends ou os anteriores não precisa se preocupar: já se pensa em repetir a dose. “Vamos fazer as avaliações, o que funcionou o que não funcionou, e vamos ver como serão os próximos. Provavelmente vamos rever o formato, mas certamente teremos outras edições”, diz um dos organizadores do evento, Isaac Varzim, que ao final do bate-papo de sábado anunciou estar agenciando os stand ups de Gasperin.
Só para deixar claro: não era sério.
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Veja aqui a cobertura Naipe do primeiro dia do FMT. E clique aqui para ler texto sobre baladas alternativas e mainstream de Florianópolis.
* A Naipe se sente incapaz de descrever em palavras a obra musical de Rebecca Black, então se você ignora o significado de “fun, fun, fun, fun”, assista:
http://www.youtube.com/watch?v=CD2LRROpph0
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Comentários
Foi muito boa a tarde e os painéis, como não podia deixar de ser com a matéria. Parabéns, Rosi, e prazer conhecê-la!
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