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Publicado em maio 16th, 2013 | por Camille Bousez

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BELGAS NO BUSÃO

“Na Ilha com Camille” é uma série de posts que mostra expectativas e realidades de uma belga que faz estágio na Naipe e aprende português em Florianópolis. Leia os textos anteriores aqui

Minha primeira vez no ônibus de Floripa foi para ir à escola de português, no dia depois da chegada minha e de meus seis colegas (eu disse que vivo com seis caras? Uma outra aventura!).

A diretora da escola nos disse para pegar o nº360, depois o nº320 e partir com 1h15 de antecedência (!!!!). Na Bélgica, este é o tempo para ir do sul ao centro do país. Quando estávamos no ponto, o nº360D chegou, a gente se disse que era similar e pegamos este.

Tínhamos cada um, como bons turistas, uma nota de R$ 50 para pagar. Imagine a cara do cobrador: seu dia começou bem! O ônibus estava lotado. Depois cinco minutos de trajeto, eu empurrara todas pessoas ao meu lado e já tive dor nos braços e barriga . Aqui, não é preciso ir à academia de gimnastica para fazer esporte…pegue o ônibus e está o mesmo.

Então, vocês conhecem: sobe, desce, dobra em todos os sentidos e o motorista não reduz a velocidade uma vez, nem nas curvas. Imaginem a boa tropa dos turistas, sacudidos como um saco de batatas, os únicos a rir como umas baleias (nós gostamos de usar imagens no francês), e o resto das pessoas do ônibus nos olhando com rabugice. Bonita cena, não?!

A diretora nos disse para sair da Lagoa 1h15 antes, para chegar ao Santa Mônica a tempo. Esse é o tempo que levamos, na Bélgica, para ir do sul ao centro do país

Uma outra coisa, os motoristas aqui, eles são pessoas que não têm medo de nada: eles não têm medo de colidir com o carro/caminhão/outro ônibus/pedestre na frente, freando ao último momento. Eles não têm medo de arrançar o para-choque dum carro que invade um pouco demais o cruzamento. Eles não têm medo de ultrapassar um caminhão subindo e em uma curva, considerando que o ônibus está lotado, que seu motor vai provavelmente explodir e que não há uma segunda pista para a ultrapassagem. Francamente, eu fico admirada.

Bem, claramente, cometemos um erro: o nº360 não é o mesmo que o 360D (Aaah, os turistas!). Pudemos aproveitar de uma pequena excursão pela cidade. Precisamos andar até outro terminal, não sei dizer onde, e pagar uma vez mais. Nós conseguimos chegar em tempo à escola, mas foi por pouco. E na volta, foi uma grande surpresa quando em 20 minutos chegamos à nossa pousada, porque finalmente conseguimos pegar o bom ônibus. Youhou! Tudo não está perdido!

Logo, os ônibus aqui são um pouco como “bom dia”, “boa tarde” e “boa noite”: há demais, não entendemos aonde eles vão, nem qual linha devemos pegar. Em resumo, é muito complicado.

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2 Responses to BELGAS NO BUSÃO

  1. Bem vinda ao Brasil, o país em que cada dia é uma aventura. Está parecendo melhor do que você via nos filmes, ou não?

  2. Realmente é um vergonhoso retrato the realidade. Para eu que sou daqui me sinto envergonhado não pelo fato em si, mas pela identidade do povo refletida no descaso tanto dos motoristas e cobradores de ônibus, como pelo governo cego e pela população que diz ter as mãos atadas!

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