No Mundo

Publicado em abril 29th, 2014 | por Danilo Calegari

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KAVEH KANES*

Prospero Alpino nasceu em Marostica, Itália.

Formou-se em medicina, mas sua grande paixão era a botânica. Possuía uma bodega em Veneza e certa fama pelos remédios que fabricava. Em 1580, a convite pessoal do doge Nicolo da Ponte, ele acompanhou o patrício Giorgio Emo ao Egito como médico pessoal da comitiva diplomática da Sereníssima República de Venezia. Ficou por três anos na terra dos faraós. Quem conhecia Prospero, o imaginava triste, longe de sua bodega e de suas plantas exóticas. Seus amigos o viam no deserto, taciturno, deixando escapar areia entre as mãos. Contudo, no Egito, Prospero não largara as plantinhas.

Dentro da obra de Prospero Alpino é conhecido o estudo sobre a diferença de gênero nas plantas. Lineu deu seguimento a este fundamento na sua classificação científica. Além disso, na obra De Medicina Egyptiorum (1591), Prospero publica considerações sobre a Coffea. Essas se tornariam o primeiro relato científico europeu sobre o café.

Depois disso, a bebida caiu no gosto da galera. Somente na Europa do século 18 já existiam cinco mil coffee houses. Berlim, Moscou, Paris, Roma, Munique, Milão, Marselha, São Petesburgo… Praticamente, toda cidade europeia possuía um desses lugares de convívio social. A maior acolhedora do novo point era Londres, com 3 mil.

Nessa época, o mundo girava em torno do café. De procedência africana e chegando à Europa através de Veneza, ninguém conseguia mais dar conta de tanta demanda. Então, as potências marítimas procuraram nas colônias espaços para a plantação que, de inicio, retornou ao Oriente, principalmente em ilhas holandesas.

São os mesmos holandeses os responsáveis pela chegada do café nas Américas. Em 1720, Gabriel Mathieu de Clieu, oficial da marinha francesa, quis fazer frente ao domínio holandês. A história é pitoresca. De acordo com os relatos do próprio, ele partiu da França com duas plantinhas envoltas em uma cúpula de vidro, evitando assim o frio e a brisa marítima. Depois de uma tempestade, um assalto de piratas Tunisinos e uma briga com um marinheiro invejoso que queria para si as valiosas plantas, de Clieu atraca na Martinica com um raminho de poucas folhas. A planta sobrevive e, em 1726, é feita a primeira colheita. Em 1777, a Martinica já possuía quase 20 milhões de cafeeiros.

Foi pela Guiana Francesa que o café chegou ao Brasil. Graças à esperteza do sargento-mor Francisco Palheta, que, diz a lenda, seduziu a mulher do governador francês para conseguir algumas sementes, em 1727. Entretanto, foi somente no século 19 que o café fez fama no Brasil.

*Kaveh Kanes era o nome dado às primeiras casas de café em Meca. Até então, um lugar de convívio social tão luxuoso, eclético, onde se podia jogar xadrez, cantar e dançar não existia. Uma das casas de café mais antigas do mundo é o Café Florian (foto), em Veneza – inaugurado em 1720, funciona até hoje. Dizem que a Festa do Chá em Boston, 1773, evento que levou à independência americana, foi organizada na casa de café Green Dragon.

Os três cafés mais caros do mundo são:

3 – O Blue Mountain, da Jamaica, sempre prodigiosa nas plantas – $200/kg.

2- O Bourbon Pointu, da Ilha da Reunião – $500/kg.

1- O Kopi Luwak, que vem da Indonésia e Filipinas – $800/kg.


Sobre o Autor

Mora em Trento, Itália, onde trabalha como art coacher e colhedor de uvas entre agosto e setembro. Mudaria tudo se na próxima vida nascesse surfista e pescador no Farol de Santa Marta, em Laguna.



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