No Mundo le_portugais

Publicado em maio 14th, 2013 | por Camille Bousez

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PORTUGUÊS, ESSE ESQUISITO

“Na Ilha com Camille” é uma série de posts que mostra expectativas e realidades de uma belga que faz estágio na Naipe e aprende português em Florianópolis. Leia os textos anteriores aqui

Há seis semanas, eu estou aprendendo sua encantadora língua.

Bem, na verdade, faz um pouco mais de tempo, mas eu devo reconhecer que não abri muito meus livros entre o fim das aulas de português na Bélgica e minha partida para o Brasil. Não tá boooom, eu sei. Em resumo, deixem-me dizer que aprender o português não está “a torta” (isso é uma expressão francês para dizer que não está fácil).

Na escola, quando nós estudávamos o inglês ou o holandês, nossos professores sempre diziam que temos sorte de saber o francês desde o nascimento, porque é uma língua muito difícil, com muitas exceções, principalmente para a conjugação. Mas o português não é muito diferente: olhem os verbos “ir” e “ser”… que pena!

Não entendi ainda a acentuação e a pronúncia. “O” aberto, “o” fechado, “a” também. O pior é o til, os ditongos e o sotaque. Outro dia, eu queria explicar a minha colega uma das palavras que aprendemos na aula: “pura!”. Dez minutos para que ela conseguisse me entender. E quando ela finalmente entendeu o que eu queria dizer, ela me repetiu corretamente: “porra!”. Para mim, a pronunciação era exatamente a mesma… há trabalho ainda! E mesmo aprendendo tudo isso, se for a Lisboa não tenho certeza que eu entenderei as pessoas.

Outro dia, eu queria explicar a minha colega uma das palavras que aprendemos na aula: “pura!”. Dez minutos para que ela conseguisse me entender e dizer que na verdade era “porra!”

Há também a sua especialidade para complicar as coisas. No francês, a gente diz “bonjour” (bom dia) o dia todo. Talvez nós digamos “bonsoir” (boa noite), o que é raro, mas a gente não vai começar com “bon après-midi” (boa tarde). É muito estranho para nós.

Posso estar reclamando demais, mas eu sei que eu tenho sorte, porque o português tem muitas correspondências com o francês. Elas são as dois línguas latinas, e é mais fácil para aprender isso. Dieu merci!

Agora, faz quatro semanas que eu estou aqui no Brasil e acho que me melhorei muito. Eu quase consigo entender a caixa do Angeloni quando ela me pergunta se eu tenho o cartão da loja. E quando as pessoas falam comigo no ônibus, não precisam repetir mais de três vezes para que eu entenda. Mas quando eu peço um suco de maracujá, o garçom traze um suco de laranja. Então eu devo fazer ainda alguns pequenos progressos, mas eu poderei logo escrever um livro ou fazer uma conferência, com certeza!

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