SIGA AQUELE IMPÉRIO

[Fotos: Thiago Momm]

No que os quadrinhos de Asterix se fundem à cidadela romana na sua frente, você se dá conta: está tudo aqui.

Está no sul da França o principal da herança romana no país. Templos, estradas, aquedutos, anfiteatros, monumentos e outros ecos da Gália Romana se espalham por cidades como Carcassonne, Nimes, Arles, Orange.

Está mais lá que no resto do país. Não há museu francês que condense tão bem a história da época quanto um passeio por essas cidades. Em Paris, ao norte, as poucas ruínas romanas do que um dia foi Lutécia ficam ao ar livre e passam despercebidas.

O sul da França foi a primeira região anexada pelos romanos, em 125 a.C. A Gália Romana corresponde ao território do que é hoje, basicamente, a França mais a Bélgica. Muitos gauleses se tornaram cidadãos de Roma.

Nimes, tida como “a Roma da França”, concentra grandes atrações como as que abrem a série de fotos acima: a Arena de Nimes, construída há pouco mais de 2 mil anos, até hoje abriga espetáculos, oferece um ótimo audioguia aos visitantes e permite acesso aos camarotes e a todos os andares da arquibancada; a Maison Carré, um templo, também remonta ao governo do imperador Augusto (27 a.C.-14 b.C.); a Pont du Gard, patrimônio mundial da Unesco, é um aqueduto que faz delirar ainda mais sobre a engenharia e a megalomania do império romano.

Em Carcassonne fica a cidadela, também patrimônio da Unesco, por onde se caminha relembrando os quadrinhos de Asterix. Lá, a ocupação foi primeiramente de povos ibéricos, no século 5 a.C. Depois vieram os galo-romanos.

Mais tarde, os visigodos (em 485 d.C.) e a coroa francesa (século 13) construíram os dois grandes muros que cercam a Cité de Carcassone. Hoje, nada impede a invasão turística: a entrada é gratuita e o ensardinhamento nas ruas estreitas é grande. Na última semana das férias europeias de agosto, sob calor, uma maré infernal de visitantes se distribuía entre o calçamento, as lojas de souvenires e os restaurantes dentro do espaço. A única atração paga é o castelo Comtal, também parte do lugar. A visita vale, além da história, pela vista panorâmica que se tem de lá.

A reportagem não passou por Arles e Orange, mas na primeira fica o Musée de l’Arles et de la Provence Antiques, a melhor coleção de sarcófagos fora de Roma. A segunda conta com um teatro semicircular que é tido como o mais preservado do gênero e foi provavelmente construído nos tempos de Augusto, de novo ele.

Um ótimo acréscimo ao tour é o Museu da História de Barcelona, que mistura a exposição de objetos e documentos com ruínas romanas descobertas em escavações dos anos 1930. Trata-se de caminhar por uma área de 4 mil metros quadrados subterrâneos no bairro Gótico, nas cercanias da catedral. Enquanto Barcelona se empapavam com o calor do verão europeu lá em cima, os visitantes caminhavam pelo agora climatizado espaço ocupado um dia pelos romanos, a Colonia Faventia Julia Augusta Pia Barcino, que só adquiriu importância no século 3. Desenhos em quadros do museu completam o que as ruínas menos auto-evidentes sugerem. De resto, é ignorar o incompreensível catalão dos textos, ler o espanhol abaixo e passar uma boa hora lá embaixo.

As fotos do museu correspondem às três imagens em um ambiente fechado do slideshow.

 

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Sobre o Autor

Jornalista encarnado em literatura, viagens e história, é editor da Naipe, deixou porque quis a reportagem de turismo da Folha de S.Paulo e agora contrai dívidas para viajar. Um dos seus idealismos é emprestar livros do Henry Miller.



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