No Mundo Samba, Di Cavalcanti

Publicado em julho 2nd, 2013 | por Camille Bousez

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(SEM) SAMBA NO PÉ

“Na Ilha com Camille” é uma série de posts que mostra expectativas e realidades de uma belga que faz estágio na Naipe e aprende português em Florianópolis. Leia os textos anteriores aqui

Domingo passado, meus colegas me levaram em um bar de samba, ao norte da ilha no bairro de Sambaqui: o Rancho do Neco.

É o que mais gosto: viver momentos só com brasileiros, sem parecer (ou quase! Eu sei que jamais vou parecer uma brasileira) uma turista da Europa.

Então, chegamos neste bairro onde a vista sobre o continente é maravilhosa! Mas eu adorei ainda mais o bar: um rancho de pescador, 25 m², um homem de segurança na entrada com sua grande bolada de dinheiro (os cartões não estão aceitados), mínimo 100 pessoas apertadas umas contra outras dançando ao som da banda e bebendo caipirinhas, um pequeno bar e uma cozinheira muito animada fazendo um risoto perfeito com camarões. Muito boooom!

Creio que passei a noite inteira me dizendo, todo minuto, que foi demais genial. No começo, as mulheres tentaram me ensinar o passo da samba. Vocês veem bem, esta espécie de pequeno movimento hiper rápido dos pés, acompanhado do “déhanché” é impossível de fazer quando a gente não nasceu com o quadril brasileiro. Acho seriamente que nosso bumbum não é o mesmo que o seu, que é muito mais encurvado e permite fazer coisas loucas. Então, se você viu uma mulher dançando como um pinguim tentando correr, fui eu!

É impossível sambar quando a gente não nasceu com o quadril brasileiro, que é muito mais encurvado e permite fazer coisas loucas

Além disso, há todas as pequenas pérolas
(é assim que eu chamo os momentos simpáticos que vou me lembrar muito tempo) como a vez onde tudo mundo cantava junto a canção e este cara que movia seu bumbum como ninguém. Foi “waouw”! Ou ainda o velhinho de 80 anos que pareceu não poder caminhar, mas começou a dançar como um jovem de 25 anos. A cozinheira que alcançou sua panela e bateu o ritmo com os músicos, os garçons que dançavam. Um homem-armário que me convidou a dançar (então ele viu que eu NÃO sei dançar samba) e que conseguiu me fazer dançar mesmo assim.

Espero que vocês se deem conta da sorte que têm… Na Bélgica, não temos bares assim, para se divertir e dançar só porque você gosta de dançar. Isso dá uma energia incredível. Além disso, é muito raro dançar a dois, nas festas dançamos sozinho. Com certeza, foi um dos melhores momentos que eu vivi aqui! Perguntem aos meus amigos belgas, eu falo disso com estrelas nos olhos.

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