On the road friedrich-nietzsche

Publicado em junho 23rd, 2010 | por Thiago Momm

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FILOSOFIA DE CHURRASCO

As fotos mais conhecidas do filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900) nunca revelam um sorriso debaixo do bigode à la Floquinho da Turma da Mônica.

Mas suponho que ele riu sozinho – e muito – quando escreveu sobre as mulheres. Suas conclusões são as mesmas de um churrasqueiro barrigudo suado, só que em alemão elegante.

“Um casamento prova ser bom pelo fato de tolerar uma ‘exceção.’”

“Alguns homens suspiraram pelo rapto de suas mulheres; a maioria, porque ninguém as quis raptar.”

“Uma mulher pode muito bem tornar-se amiga de um homem; mas para manter essa amizade – para isso é necessário talvez um pouco de antipatia física.”

E por aí vai. São todos aforismos do capítulo A mulher e a criança, do livro Humano, demasiado humano, em que Nietzsche também flerta com as moças. Diz que “o pudor da mulher aumenta com sua beleza” e que “para a doença masculina do autodesprezo o remédio mais seguro é ser amado por uma mulher inteligente”.

No aforismo 377, que abre o capítulo, Nietzsche até faz um elogio direto, mas depois o relativiza: “A mulher perfeita é um ser humano mais elevado que o homem perfeito; e também algo muito mais raro. A ciência que estuda os animais oferece um meio de se tornar provável essa afirmação.”

Não vivendo sob a pressão do pop, o teutônico bigodudo deixou por isso. Hoje, talvez fosse incentivado por um editor a compilar a parte mais travessa desses aforismos, escrever vários outros na mesma linha e publicar um best-seller chamado Eis a mulher – título fazendo referência a outro livro seu, Ecce Homo (Eis o homem). Aí sim Nietzsche teria sido, como seu contemporâneo Charles Dickens, um best-seller ainda em vida.

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DICA NAIPE:
Humano, demasiado humano (Companhia de Bolso, 320 pgs., R$ 24)

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Sobre o Autor

Jornalista encarnado em literatura, viagens e história, é editor da Naipe, deixou porque quis a reportagem de turismo da Folha de S.Paulo e agora contrai dívidas para viajar. Um dos seus idealismos é emprestar livros do Henry Miller.



3 Responses to FILOSOFIA DE CHURRASCO

  1. Nietzsche também foi um grande galanteador. Veja suas cantadas em https://www.facebook.com/cantadasfilosofais.

  2. Fábio Bispo says:

    É Nietzsche foi um catalisador do statuos quo. Não é a toa que o título do livro reafirma a condição de DEMASIADO, tal qual um churrasqueiro desses vividos, que sabe tudo de mulheres!

  3. Geronimo W. MACHADO says:

    É, vale a pena, sim!

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