On the road picigin_1

Publicado em junho 17th, 2010 | por Thiago Momm

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FRESCOBOL SEM RAQUETE

Quase todo mundo já jogou picigin na infância, embora quase ninguém saiba disso.

Mais ainda, os cem anos do esporte, em 2008, passaram despercebidos no Brasil.

O picigin, inventado na Croácia, consiste em cinco pessoas com água do mar até os tornozelos estapeando uma bola. O objetivo é manter a bola seca. Mas não resuma assim para um croata. Você o magoará. Ele dirá que o picigin é muito mais complexo e apaixonante. Ele vai dizer que para se ter uma ideia o picigin, criado na cidade croata litorânea de Split, em 1908, antecedeu em três anos a chegada do futebol por lá.

No centenário, o esporte foi declarado patrimônio cultural imaterial croata por três anos. Esse prazo venceu em junho de 2011, e a ideia agora é que esse status se torne permanente.

Estudantes croatas que descobriram o polo aquático na capital Praga voltaram para Split a fim de praticá-lo. Num mar de nível sempre baixo não conseguiram, e a partir disso tiveram a engenhosa ideia de encher uma bolinha de tapões. Estava aí o picigin. Mas não se trata de estapear uma bolinha qualquer, e sim uma bolinha escalpelada. A bola de picigin é uma bola de tênis sem o couro cabeludo e friccionada para que fique mais magrinha.

O verdadeiro espírito

Não deixar a bola se molhar é a regra básica do picigin, mas o esporte “tem o seu verdadeiro espírito traduzido nas acrobacias que os participantes fazem”, explica um site croata. Os croatas também se gabavam do fato de o picigin ser um esporte não competitivo, mas isso mudou: desde 2005 a praia de Bacvice, em Split, sedia o campeonato mundial.

É essa praia o reduto da elite planetária de jogadores de picigin. Desavisado disso, caminhando por lá, fazendo matéria para a Folha de S.Paulo, me perguntei se alguma maldita herança comunista não deixara a pobre Croácia sem raquetes de frescobol. Cinco loucos se jogavam na água para dar tapas em uma bolinha pouco visível. Próximo deles, enxerguei três juízes. Só depois descobri se tratar do campeonato mundial – na hora, fiquei apenas curioso. Mais bizarro ainda, ao sair da praia topei com uma estátua em homenagem ao picigin.

Parece surreal, mas aqui em cima está a foto para comprovar.


Sobre o Autor

Jornalista encarnado em literatura, viagens e história, é editor da Naipe, deixou porque quis a reportagem de turismo da Folha de S.Paulo e agora contrai dívidas para viajar. Um dos seus idealismos é emprestar livros do Henry Miller.



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