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Publicado em julho 2nd, 2010 | por Thiago Momm

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HITLER NA LUA-DE-MEL

E aí você acha ruim que Paulo Coelho tenha desentocado mais de 100 milhões de livros, só perdendo para os mais de 300 milhões da J.K. Rowling.

Que tal os tempos em que Mein kempf, de Hitler, vendeu 6 milhões de cópias na Alemanha, só perdendo para a Bíblia por lá?

Da publicação do primeiro volume (1925) à chegada de Hitler ao poder (1933), as vendas do livro minguaram – menos de 10 mil cópias ao ano, em média. Depois as sandices nazistas viraram pop, e Hitler, o escritor alemão mais vendido e bem pago, com gordos 15% de direitos autorais.

Leitura obrigatória, Mein kempf  (Minha luta) era dado a estudantes do colégio depois da formatura e a noivos como presente de casamento. O primeiro volume tinha 400 páginas; o segundo, 782. Confuso e furibundo, Hitler palpita sobre sexo, política, quadrinhos, casamento, sífilis, cinema, história e literatura, além, claro, dos judeus e da questão do espaço vital – a paranoia por mais território para os alemães.

Para saber mais sobre Mein kempf e o nazismo, vale ler não o próprio Hitler, mas Ascensão e queda do Terceiro Reich, que conta as histórias acima e muitas outras. Publicado em 1961, o livro foi traduzido para o português na época e de novo em 2008. Cobre da escalada de Hitler ao poder até seu fim no bunker de Berlim, em 1945.

Na nova tradução brasileira, a editoria Agir preferiu dividir a coisa toda em dois volumes – que somam mais de 1600 páginas e empatam em tamanho, se empilhados, com uma caixa de sapatos. Mas valem a pena. Valem por vários filmes sobre nazismo. Ou no mínimo por um filmaço como A queda – as últimas horas de Hitler – aliás, baseado no livro No bunker de Hitler, de Joachim Fest, também resultado de muita pesquisa e conhecimento.

O norte-americano William L. Shirer, o autor de Ascensão e queda, foi repórter na Europa e, principalmente, na Alemanha nos tempos hitleristas. Depois da Segunda Guerra, teve acesso a diários do alto escalão nazista e a toneladas de papel do regime que ninguém fuçara ainda. Cada volume custa dolorosos R$ 93,90. O primeiro tem 880 páginas, e o segundo, 768. São muito mais páginas que Mein kempf – e, obviamente, muito mais sanidade.

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Sobre o Autor

Jornalista encarnado em literatura, viagens e história, é editor da Naipe, deixou porque quis a reportagem de turismo da Folha de S.Paulo e agora contrai dívidas para viajar. Um dos seus idealismos é emprestar livros do Henry Miller.



2 Responses to HITLER NA LUA-DE-MEL

  1. Naipe says:

    É vero, Liana. “Mein Kempf” digitado na busca da Livraria Cultura, por exemplo, não resulta em nada. Há apenas edições circulando clandestinamente (esperamos que não na mão de neonazistas) por aí. De qualquer maneira, o primeiro volume de Ascensão e Queda é uma boa pedida para se ter acesso a ideias e trechos ensandecidos diversos do livro de Hitler.

  2. @Lianaclara says:

    Boa matéria, curosidades sobre a 2° guerra sempre me chamam a atenção. Já andei procurando o livro Mein kempf (para ler a título de curiosidade) mas descobri que sua publicação é proibida…pelo menos quando procurei.

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