Pirão rockinrio_dentro

Publicado em setembro 26th, 2011 | por Revista Naipe

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UM FESTIVAL NA SUA ESTANTE

[Por Emerson Gasperin]

Começou como um trabalho para o curso de Jornalismo da PUC do Rio de Janeiro, em 2008.

Os estudantes tinham que analisar a cobertura dada pela imprensa a algum acontecimento importante. O aluno Luiz Felipe Carneiro escolheu o Rock in Rio. Depois, com a confirmação da realização de mais uma edição do festival – que recomeça hoje e vai até domingo –, o já graduado jornalista aprofundou a pesquisa, entrevistou promotores e artistas e lançou Rock in Rio – A história do maior festival de música do Brasil, o livro mais ambicioso publicado até agora a respeito do evento.

Da primeira edição, em 1985, ele lembra apenas das luzes da Cidade do Rock. “Era a única coisa que eu, com quatro anos, conseguia ver da varanda do apartamento onde minha família morava, na Barra da Tijuca”, conta. Do segundo, embora ainda criança, teve o privilégio de ir a quase todas as noites (seu pai era advogado da organização) e o desgosto de sentir o “cheiro de xixi absurdo” que impregnava o Maracanã, em 1991. No terceiro, encarou a maratona de shows em 2001 com o que chama de “idade certa” para se divertir sem se preocupar com conforto.

No livro, o ex-repórter da Folha de S.Paulo e do semanário musical International Magazine deixa as memórias afetivas (e olfativas) de lado e se concentra no elementar: um registro de todos os shows, dia a dia, edição a edição, ilustrado por mais de 200 fotos. Mas vai além, revelando os bastidores da escalação dos artistas, as negociações para trazê-los e suas badalações pela noite carioca. Aí, não faltam passagens curiosas, principalmente fora do palco, como festinhas privadas (Freddie Mercury, do Queen), chiliques (Prince), exigências bizarras (George Michael) e presepadas (Axl Rose).

“O que mais me admira é a coragem de Roberto Medina”, reconhece Luiz Felipe, referindo-se ao idealizador do Rock in Rio. “Em 1984, sem que ninguém acreditasse, ele disse que ia fazer o festival e saiu contratando as bandas”. De fato, na época o Brasil representava uma típica roubada para atrações internacionais. Era longe demais e, ainda por cima, visto como país que dava calotes em cachês. Muitos agentes nos Estados Unidos e na Inglaterra nem quiseram ouvir as propostas do empresário. Perderam a oportunidade de entrar nesta história.

Ah, e o tal trabalho da faculdade ganhou nota 10.

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TOP 5
Os melhores shows do Rock in Rio, na opinião do autor (em ordem cronológica):Queen(1985) – “Histórico, com Freddie Mercury regendo um coro de 250 mil vozes em ‘Love of My Life’.”Barão Vermelho(1985) – “Tancredo Neves acabava de ser eleito e a banda captou o espírito da Nova República, saudando o público com ‘Pro Dia Nascer Feliz’.”Guns ‘n’ Roses(1991)  – “Na época, eram a maior banda do mundo. E cantaram músicas inéditas, como ‘Civil War’, que já pareciam ser um imenso sucesso.”R.E.M.

(2001) – “Eles estavam muito a fim de fazer um baita show e a plateia entrou na mesma onda.”Neil Young

(2001) – “O primeiro e único show dele no Brasil até agora, tão especial que em 2005 o encontrei em uma loja em Nova York e ele disse que ainda se lembrava da apresentação no festival.”

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DICA NAIPE:

Rock In Rio – a história do maior festival de música do mundo
Luiz Felipe Carneiro, Globo editora,
384 páginas,
R$ 49,90 (comprando online na Saraiva, apenas R$ 29,80)

 

TRECHO
“O rock é um universo rico de lendas e Ozzy Osbourne é um de seus melhores representantes. Aliás, o ex-vocalista da banda de heavy metal Black Sabbath até foi nomeado ‘Lenda Viva do Rock’ pelo Classic Rock ‘n’ Roll of Honour, em 2008. Em 1985, o cantor inglês chegava ao Rio de Janeiro sob a pecha de ‘devorador de morcegos’. A imprensa perguntava, a toda hora, se ele iria degustar o mamífero no palco de Jacarepaguá. A produção tinha tanto medo dessa possibilidade que deixou expresso no contrato que Ozzy estava proibido de ingerir os mamíferos voadores durante o show. A plateia realmente acreditava que em algum momento do espetáculo isso aconteceria. (…) Muitas brigas pipocaram na plateia, enquanto Ozzy incitava a massa berrando provocações do tipo ‘vamos ficar loucos’ ou ‘fumem mais maconha’. Um fã chegou a jogar uma galinha preta perto do cantor de Birmingham. Um roadie empurrou a ave para fora do palco. Mas ela voltou. Ozzy a pegou, acariciou sua cabeça e a levou para os bastidores. Nenhuma mordidinha no pescoço rolou, para decepção da plateia.”

 

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