Pirão Karibu

Publicado em novembro 5th, 2012 | por Tiago Rodrigues

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APERITIVO

Preferi tentar dormir novamente, a perder de vista a mais linda mulher que eu nunca vi. Mas sabia o quanto era bela. É claro, ela não estava mais lá. Sumiu, junto ao cavalgar daquele que segundo ela, vinha vingar!

Sortudo. Não sei montar, tampouco galopar. Ter despertado do sonho foi meu castigo. Perdi de vista. Dizia um samba nem tão antigo que falava de coisas do coração: “…o castigo que vinha a galope chegou de avião”. E chegou rápido, na velocidade da Luz. Ana Luz.

Meu sonho se inspirou nessa bela composição de François Muleka, Ana Luz, que é executada com maestria pelo Karibu e serve de aperitivo para o recém-gravado álbum do trio, também chamado Karibu. A faixa, que pode (e deve) ser apreciada, baixada, curtida e compartilhada, está aqui junto de outras belas faixas.

[soundcloud params=”auto_play=true&show_comments=true&color=0ac4ff”]http://soundcloud.com/kaributrio/karibu-ana-luz[/soundcloud]

A começar pela sonoridade, Ana Luz traz cores “multi-regionalistas”. A bateria de Max Tommasi pulsa ao mesmo tempo suave e galopante no início. O baixo fretless (Trovão Rocha) aparece dando cor à aquarela em movimento e se junta à dinâmica percurssiva da bateria de forma sutil e pulsante. No descanso do galope, juntam-se o violão (François) e a gaita (Diogo Valente – músico convidado) numa bela melodia, fraseando o que mais adiante se torna um dos temas principais da estória.

Ana Luz desde cedo mostra uma personalidade forte e decidida. Menina-mulher apesar de moça ainda. Um tanto de Garibaldi da Anita, um tanto de Kahlo da Frida.

O violino (Ricardo Müller, músico convidado) trouxe a sensação de que o sonho era tão real quanto a vontade de realizar tal sonho. “Será que existe mesmo algum lugar, feito a minha mãe contou pra mim?”. Mas Ana era inocente, um pouco louca, talvez “aborrecente”. Nas incertezas do destino e na dúvida do caminho a seguir, o refrão da música faz o contra-ponto da estória – aspecto também presente na mudança da parte rítmica, harmômica e nas linhas da voz magistral de François Muleka. Um mundo de sonhos (não o meu, talvez o dela), de desejos e questionamentos.

Nessas horas eu preferia ser o caubói a quem ela se entregava de corpo e alma. Aquele felizardo. Pra cobri-la ele vinha. Apesar de moça ainda. E eu nem vi o rosto dela, mas sentia o quão ela era linda.

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Sobre o Autor

Músico e professor de Inglês, pensa que sabe do gauchês mas lhe sobra o manezês. Acha que se perdeu dos “tios” Jimi Hendrix e Tim Maia num passeio pela África. Quando não está viajando fisicamente, explora o mundo mental e espiritualmente.



2 Responses to APERITIVO

  1. Jerônimo says:

    Coisa linda essa canção. E delícia esse texto, Tiagão, que nos faz viajar pelas cores e sonoridades das andanças de Ana.

  2. leticia freitas says:

    ganhar o CD foi o melhor presente de meu niver! Sou da torcida do KARIBU.

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