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Publicado em maio 11th, 2011 | por Revista Naipe

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BIENVENUE À CANNES!

[Por Andrey Lehnemann]

Criado em 1946, o Festival de Cannes nunca foi um grande parâmetro para fazermos nossas suposições do que veremos no Oscar – mas é uma premiação excelente para começarmos a ler as primeiras opiniões sobre filmes com possibilidades de indicação.

Nesse ano não será diferente.

O festival que começou dia 11/05 na Riviera Francesa contará com filmes importantíssimos e possíveis indicados ao Oscar 2012: A Árvore da Vida, de Terrence Malick, Precisamos Falar Sobre o Kevin, de Lynne Ramsay, Restless, do diretor Gus Van Sant, This Must Be the Place, de Paolo Sorrentino, entre outros que despontam como grandes promessas para o Oscar 2012. Ainda que outros filmes com imensas possibilidades de figurar no Oscar não estejam na lista do festival, as possibilidades dos indicados ao maior prêmio do cinema mundial começarem a ganhar seus primeiros comentários é grande, e nossas suposições acerca dos projetos também.

Em competição oficial, La Piel que Habito, de Pedro Almodóvar, se apresenta corajoso na proposta e trilha por um caminho que o diretor nunca percorreu antes. Já no filme francês L’Apollonide – Souvenirs de la Maison close, de Bertrand Bonello, o polêmico diretor de O Pornógrafo, promete voltar em um mundo mais cru e intragável. O também francês Pater, do irregular Alain Cavalier, apresenta uma sinopse curiosíssima e algo bastante comum em suas obras: a pessoalidade de seus longas-metragens.

Ainda em competição oficial, temos o israelense Footnote, de Joseph Cedar, que conta com uma premissa bastante simples em abordar o desejo de ser reconhecido na sociedade. O filme turco Once Upon a Time in Anatolia, de Nuri Bilge Ceylan, também chega ao festival sem grandes expectativas e com um trailer desmotivante. O belga Le gamin au vélo, de Jean-Pierre e Luc Dardenne, fala sobre adoção, mas com o grande diferencial de ser um filme dos irmãos Dardenne com Cécile de France! Com o histórico dos Dardenne, e pelo poder que seus filmes autorais geralmente possuem, esse já desponta como um dos favoritos ao prêmio principal.

No filme finlandês Le Havre, o diretor Aki Kaurismäki aposta em um contexto político para convencer o público e o júri liderado por Robert De Niro. Em contrapartida, o japonês Hanezu No Tsuki, de Naomi Kawase, busca explorar situações existenciais. Assim como a fotografia, a sinopse é bastante promissora. Já Julia Leigh tenta chamar a atenção em sua estreia na direção no provocativo Sleeping Beauty, e conta com a estonteante Emily Browning no papel principal. Promete bastante.

O francês Polisse, da diretora Maïwenn, aposta na conhecida “fórmula premiática” que explora ambientes caóticos, traumas e resoluções pessoais dos envolvidos nesse mundo. Já o romeno La Source des Femmes, de Radu Mihaileanu, irá depender muito do toque do diretor na obra, pois a premissa é bastante complicada e se mal administrada pode chegar a ser ofensiva.

O acontecimento ou o filme mais esperado do ano é o americano A Árvore da Vida, de Terrence Malick, que finalmente terá seus primeiros comentários com o projeto finalizado. Os maiores apostadores do Oscar estão ansiosos para ver o resultado de uma obra que parece ser  bastante controversa ao abordar diversos tempos e situações, mas tecnicamente impecável. Igualmente aguardado é o novo filme de Lars Von Trier, Melancolia, que depois do sublime e controverso Anticristo irá mexer com o fim dos tempos em uma colisão de dois planetas. O britânico Precisamos Falar sobre o Kevin – adaptação do livro de Lionel Shriver –, está ainda mais latente com os inúmeros casos de chacinas causadas por adolescentes no mundo. O roteiro, claro, é um dos principais atrativos do longa, mas a atuação de Tilda Swinton é o que está sendo mais comentado e esperado.

O filme italiano This Must Be the Place, de Paolo Sorrentino, conta também com a atuação de Sean Penn ao seu favor. O ator já desponta como um dos possíveis indicados ao Oscar 2012 por oferecer tudo o que a Academia gosta: mudança de aparência, personagem multifacetada e uma gama de redescobertas. Drive, de Nicolas Winding Refn, apesar de ser um filme de ação, tem atuações aguardadas por reunir os excelentes Ryan Gosling, Carey Mulligan, Christina Hendricks e Bryan Cranston.

O festival também contará com a presença do japonês Hara-kiri: Death of a Samurai, do polêmico Takashi Miike. O mais surpreendente é que o filme de Miike foi feito em 3D e será o único realizado nessa plataforma a fazer parte da competição oficial. Possivelmente será ainda mais chocante que o longa do Von Trier e irá explorar a violência de uma forma abusiva no 3D.

Fechando os filmes que estarão em competição oficial, temos o italiano Habemus Papam de Nanni Moretti, que irá procurar abordar uma crise católica, a não crença nos limites propostos pela igreja e a sociedade atual; o desconhecido Michael do diretor austríaco Markus Schleinzer; e o francês The Artist de Michel Hazanavicius, que já desponta como um dos favoritos a levar a Palma de Ouro por possuir um argumento interessantíssimo, bons atores, excelente fotografia e não ser tão controverso quanto os filmes principais.

Fora de competição, teremos a chance de olhar outros filmes igualmente importantes para a corrida do Oscar. Meia-Noite em Paris, do mestre Woody Allen, abre o festival e já surge com bastante potencial para abocanhar uma das indicações de Melhor Roteiro. Um Novo Despertar, de Jodie Foster, é ansiosamente esperado por trazer Mel Gibson de volta às telas – além de conquistar elogios por onde passa -, e Piratas do Caribe – Navegando em Águas Misteriosas, de Rob Marshall, também transmitido em 3D, trará um reinício da franquia e provavelmente vai garantir presença em categorias técnicas do Oscar.

Na mostra “Um Certo Olhar” teremos como destaques a presença do novo filme de Gus Van Sant, Restless – pode trazer força para um possível indicação do diretor ano que vem –, e o filme brasileiro Trabalhar Cansa, de Juliana Rojas e Marco Dutra, Depois de ganhar reconhecimento no próprio Festival de Cannes por trabalhos em curtas-metragens, os diretores investem em seu primeiro longa-metragem contando a história de um casal empreendedor.

Fechando as cortinas, o francês Christophe Honoré apresenta o seu novo e aguardado Les Bien-Aimes, e mais uma vez mexerá com relações sexuais, consequências sentimentais e dúvidas.

Mesmo que Cannes ainda não seja o instrumento mais adequado ou certeiro para palpites em outras premiações, é um festival sempre repleto de surpresas, divertido, sentimental e único. Num ano em que ainda estamos saboreando filmes vitoriosos do 2010, é Cannes que chega aos nossos olhos para tentar mudar isso, para o bem ou para o mal. Tudo depende do espetáculo, que segue até o dia 22/05.

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One Response to BIENVENUE À CANNES!

  1. Maya says:

    Ótimo artigo, Andrey.

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