Pirão girl-rising

Publicado em novembro 19th, 2013 | por Gabriella Figueiredo Santos

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GIRLS ON FIRE

“Se você tentar me parar, eu só vou continuar tentando com mais força!”

É uma afirmação tão simples, mas tão forte, não?

Há um tempinho, descobri um projeto muito bacana de incentivo à educação de meninas. Falar sobre mulheres parece mais comum, considerando todas as causas e curvas pelas quais passamos. Mas a palavra “menina” parece trazer uma força singular. Há uma ingenuidade e uma sabedoria, daquele naipe infantil, mas imersa em coragem, sem cicatrizes acumuladas, sem sinais de alerta pré concebidos. Tudo se pergunta, tudo se fala, tudo pode ser explorado…

Girl Rising é um filme e um movimento, parafraseando a própria campanha, que conta a história de nove meninas e o papel crítico da educação em suas vidas. É a crença no poder da narrativa de histórias ainda pequenas, mas de profundidade devastadora. O documentário conta com o financiamento de ONGs, empresas privadas e com o apoio de ativistas, artistas e da “10×10”, iniciativa que promove a educação feminina pelo mundo.

Na página da campanha você encontra histórias de meninas do Camboja, Haiti, Nepal, Egito, Etiópia, Índia, Peru, Serra Leoa e Afeganistão, escritas ou narradas por outras mulheres também protagonistas de mudanças em suas respectivas comunidades. A disponibilização da obra em DVD está prevista para o próximo ano no Brasil, mas enquanto isso você pode conhecer algumas cenas e os bastidores das filmagens no canal da produção no YouTube.

As lentes que registram o documentário, mas também as dos olhos que contam as histórias das meninas que representam tão bem muitas de nós, são um lembrete sobre ter paixão e sede por aquilo que nos move. E mover é o que importa

Em muitos países, o papel esperado para uma menina não vai além de buscar água, cozinhar, cuidar dos irmãos e depois dos filhos. Isso sem contar as vítimas de tráfico de mulheres, para fins sexuais ou para trabalho escravo. Sempre bom lembrar que não precisamos cruzar oceanos para ver situações como estas. Muitos de nós devem ter vizinhas, colegas de trabalho ou conhecidas que vivem ou viveram como meninas submetidas a situações de exploração por sua condição de gênero. Considerando, claro, as devidas proporções e adaptações culturais.

O produtor de Girl Rising, o antropólogo Justin Reeves, começou trabalhando em ONGs da América Latina com campanhas de combate a Aids em comunidades carentes. Foi quando se deu conta do poder de decisão que poderiam ter aquelas meninas se tivessem oportunidade de acesso à educação. O quanto as 66 milhões de meninas hoje fora da escola poderiam se empoderar de informações a favor do próprio destino. Segundo Reeves, uma menina que tenha um ano extra de educação vai ganhar 20% mais quando adulta. A criança que nascer de uma mãe alfabetizada tem suas chances de sobreviver após os cinco anos de idade aumentadas em 50%. Ainda salienta que as mulheres “são as mães de nossos filhos, dos líderes das comunidades. Sabemos que uma menina educada cresce para ser uma mulher educada, que certamente irá moldar o futuro de toda a comunidade e sua nação”.

As lentes que registram o documentário, mas também as dos olhos que contam as histórias das meninas que representam tão bem muitas de nós, são um lembrete sobre ter paixão e sede por aquilo que nos move. E mover é o que importa, seguir aprendendo tudo o que puderem. Que deixe calos, que gaste as roupas, que arda seus pés, que queime, que queime até mesmo as pragas no meio dos caminhos pelos quais passarem.

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Sobre o Autor

Estudante de Ciências Sociais na UFSC, tem trabalhado com Antropologia. Estudou Comunicação e Estudos Culturais em Portugal e na Inglaterra.



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