Pirão gritorock2011_dentro

Publicado em março 17th, 2011 | por Léo T. Motta

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GRITARIA INDEPENDENTE

Eu grito, tu gritas, ele grita. Mas acima de tudo, quem grita somos nós.

E, nesse post em especial, gritamos de mais de 130 focos espalhados por toda Ibero-América. Direto de fora do eixo convencional de circulação do rock e da música num geral, o Grito Rock segue preso no peito, anualmente, até que os preparativos comecem.

A idealização é toda do Circuito Fora do Eixo, que trabalha no evento há oito anos, e as datas figuram todas no calendário da Associação Brasileira de Festivais Independentes. Ano após ano, o circuito cresce exponencialmente agregando bandas, produtores, imprensa, apoiadores e agitadores culturais de todos os cantos do país.

Ok, então um tal de Circuito FDE organiza – em coisa de um mês – 132 eventos com um mesmo nome, em cidades diferentes? A resposta é que não, o esquema aqui é amplamente colaborativo. Cada uma das edições é realizada por um produtor – vinculado ao circuito ou não – em sua cidade. Há certas regras, mas basicamente qualquer um pode trazer esse grito para seu vilarejo. Aqui em SC gritam Itajaí, Rio do Sul e, durante uma semana inteira, Floripa.

Itajaí teve sua estreia nos dias 11 e 12, no Saint’s Bistrô. A realização foi do portal Válvula Rock, especializado em música autoral catarinense, e tinha nos planos 11 bandas de 4 estados diferentes. Dos quatro shows na quinta, destaque para os hard rockers londrinos da Lanivus, vestidos à caráter, e para a dobradinha mané infalível Motel Overdose e Os Skrotes.

A banda INI, de Sorocaba, que tocaria também nessa noite, brincou de passar 20h em congestionamento na estrada e só chegou de manhã, o que tornou a noite de sábado ainda mais insana. Café Brasilis, Helvéticos, Torneiras, INI, Stuart e Rinoceronte fizeram o público de mais de 200 pessoas suar do começo ao fim da noite com shows excelentes e afiados.

A segunda data é na ilha, dia 18, junto da toda-poderosa festa de recepção dos calouros, a já famosa Calourada. Na hora do almoço, mais especificamente às 12h30, quem toca na concha acústica da UFSC é a Samambaia Sound Club, num horário mais que propenso ao som que fazem. Dada a abertura, o evento segue com atividades culturais durante toda a semana, espalhadas pelo campus da universidade.

De noite, três bandas fazem tremer a concha acústica: a Casa de Orates, de Itajaí; direto do oeste, de Chapecó, e residindo em Xanxerê, a Marujo Cogumelo; por fim, a gaúcha de Santa Maria e representante do Macondo Coletivo, Rinoceronte. As bandas apresentam, respectivamente: espetáculos musicais com intervenções cênicas e figurinos conceituais; rock’n’roll jovial brincando de Júpiter Maçã; stoner-pop riffento da melhor estirpe.

Urussanga, Rio do Sul, Célula Cultural

Aí, para mim pelo menos, a correria não para. Dia 19 a jogada é pelo coletivo Barriga Verde, em Rio do Sul, capital metropolitana do Alto Vale; outra estreia no festival, contando com os monstros da nova música instrumental brasileira Macaco Bong. Além deles, tocam Rinoceronte (rodando praticamente todas as edições catarinas do Grito), Liss, Vince, Homem Lixo (as três tocando em casa) e, direto da ilha, a Sociedade Soul. Tudo isso no porão do clube Duque de Caxias, após workshop sobre gestão de carreira musical ministrado pelos headliners cuiabanos do Macaco Bong (e, se tudo der certo, eu e alguém da Casa de Orates).Pauleira. Nesse mesmo dia há uma edição em Urussanga, mas me falta informação: só o que consegui saber é que tocam, no Ventuno Pub, as bandas Garage Fuzz, Lenzi Brothers, Cartolas e Dinossauro.

E fechar com chave de ouro, é massa? Quem oferece a ótima festa de encerramento na ocasião é novamente o coletivo Cardume Cultural, em Floripa. No dia 26, outras três bandas aportam na ilha, fissuradas por fazer ferver a Célula. São elas Bandinha Di-Da-Dó, A Banda de Joseph Tourton e Os Skrotes.Atração extremamente cultuada principalmente após a edição 2009/2010 do festival Psicodália, a Bandinha é uma trupe de palhaços que larga em seus shows, com muita energia, doses violentas de polka com rock e punk. Nunca se levando muito a sério, fazem um show descontraído e contagiante. Os Skrotes praticamente dispensam apresentações, mas lá vai uma bem breve: são um trio instrumental junkie do caralho e muito original. Quanto ao Joseph Tourton, sei apenas que traz sua banda de Recife, toca também música instrumental e inspiradíssima; o som é muito bem arranjado.

Preços? Ah, sim, preços. Entrada grátis – e cerveja barata! – na primeira noite em Floripa, 15 drakmas pelo show em Rio do Sul e não mais que 10 – 5 no primeiro lote! – pela festança na Célula.

E aí, vamos gritar? Cada vez mais?

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Sobre o Autor

Cidadão da terra, não-jornalista e proto-publicitário, mais feliz longe de música depressiva e blues engraçadinho. Assistente de conteúdo d'O Sol Diário, assessor de comunicação da Casa de Orates e music supervisor nas horas vagas.



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