Pirão insanidadenocalcadao_dentro

Publicado em março 19th, 2011 | por Bárbara Dias Lino

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INSANIDADE NO CALÇADÃO

Fazer teatro na rua não é fácil. Some a isso recursos de áudio e vídeo e ainda por cima no centro da cidade! Uma tremenda ousadia.

E é isso que estão fazendo os integrantes do Erro Grupo, um pessoal bem criativo que comemora dez anos. As apresentações, chamadas Escaparate, são bem no centrão da cidade, entre as ruas Felipe Schimidt e Jerônimo Coelho, às 19h, quando as lojas começam a fechar as portas.

Um homem que sai do meio das pessoas passa a conversar com uma mulher projetada na parede do prédio ARS. O tema principal da peça são relações amorosas. Ele pede que ela escreva, ela não consegue. Os dois discutem, brigam, interagem com os pedestres. A ideia é que os atores se confundam com as pessoas em volta. Algumas ações paralelas acontecem enquanto o casal principal discute, e a interação com o contexto chega a confundir. Em alguns momentos é difícil entender o que é teatro e o que está de fato acontecendo em volta. Isso que é o mais legal.

Alguns jogos são propostos à plateia. O ator tenta conquistar meninas. Umas aceitam, outras não. Falas são ditas em microfones ou berradas, outras são ditas baixinho, até cochichadas. O texto é pouco lógico e linear, o que é necessário, já que os atores se movimentam muito e é quase impossível acompanhar tudo ao mesmo tempo.

Mas a coisa fica louca mesmo quando, do nada, a menina chiquérrima em sua calça lilás brilhante aparece com ares de decidida e um manequim embaixo do braço para provocar ciúmes. Ele não perde tempo e surge dentro de uma agência bancária com uma boneca inflável. Eles fazem ciúmes um para o outro, permanecem discutindo. O clímax acontece quando os dois brigam, rolam no chão, se estapeiam de verdade! Tudo ali, no meio da rua.

A história do casal principal acaba quando ela enfim consegue fazer o que ele tanto pede: escrever. Mas a peça não termina por aí. Quando você pensa que já viu de tudo surge um carro de som, desses escandalosos que já foram moda, mas hoje em dia só os muy amigos mandam para fazer uma graça. É lindo quando o apaixonado sai do carro e pede perdão à amada com uma rosa vermelha. A menina não resiste.

Muito louco e corajoso, esse pessoal do Erro.

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Sobre o Autor

Filha, sobrinha, neta e tataraneta de comunicadores, aceitou seu carma e formou-se em Jornalismo. Apaixonada por arte e cultura, chegou a cursar um semestre de Teatro na Udesc, mas descobriu que seu lugar é na plateia.



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