Pirão nemeduardo_nemmonica_dentro

Publicado em junho 13th, 2011 | por Revista Naipe

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NEM EDUARDO, NEM MÔNICA

[Por Camila Dias e Léo Motta]

Ele, um pseudo-repórter das sujas esquinas do rock e da música autoral, não se vê vivendo sem boas doses de boemia psicodélica e contatos mil que fez pela vida.

Ela, uma assistente de marketing aficcionada por moda, literatura, cinema, referências e o típico lifestyle de jovens lindas e solteiras. Ele Psicodália e Ufsctock, ela camarote da Wood’s e Linguição da Automação. Ele Fora do Eixo, ela fora da linha. Ele carrega nas costas um tempo agregado de namoro pouco maior que três anos, ela até então nunca passara mais de um mês com a mesma pessoa. O resto do contexto se resume a ambientes acadêmicos, festas nada acadêmicas e toneladas de confusão.

Ninguém sabe dizer ao certo quando, mas um sentimento floresceu. Assim, brega mesmo. Nasceu como um tipo estranho de tesão, uma vontade esquisita de transformar aquele relacionamento em algo mais; ele resolveu, por bem, comprar uma caixa de tintas pra colorir essa amizade. Roubou um beijo dela após muito se discutir se isso era certo ou errado, em plena avenida Contorno Sul, em Itajaí. Seguiram se encontrando e trocando beijos que nunca seriam admitidos, comunicados, comentados ou televisionados. Ele insistiu e ela se deixou levar. Fun fun fun, mas em algum ponto um não queria mais brincar e o outro não queria magoar. Ela não sabia se queria mesmo terminar. Ele, ainda menos.

Combinou-se um prazo para o fim definitivo daquilo: completariam um mês e um dia, tudo em nome do Guiness Book of Records pessoal dela. Suas quebras de roteiro eram todas pensadas e premeditadas.

– Vai, termina comigo.

– Não, termina você, eu não quero fazer isso.

– Quem começou com essa história de terminar foi tu, vai, termina de uma vez.

E assim terminaram. Aqui caberia todo o discurso do “quase” e toda a catarse sobre deixar pra trás o que pode vir a ser uma lembrança bonita ao invés de insistir e ver morrer como se nunca tivesse existido, mas deixa pra lá. Terminaram, ambos insatisfeitos. Meses de agonia típica de gente orgulhosa depois, ela vociferou tudo que pensava na cara dele em frente a um boteco sujo do outro lado daquela mesma avenida. Disse que tinha que se afastar. Ele não podia aceitar aquilo.

Entre idas e vindas, o relacionamento se estabeleceu. Ela virou namoradinha; ele sabia que isso era sacanagem, ela esperava mais dele. Ele via todo o sentido do mundo em viver o amor nos tempos da bolha, ela surtou quando ele usou essa referência. O pedido oficial – e sim, ele é desse tipo – veio no primeiro dia do presente ano, na infalível ressaca de Reveillón. Contrariando tudo que vinham dizendo até então, firmaram bases e nelas construíram uma relação linda, dessas que se vê em comédias românticas baratas. Hoje usam alianças, se cutucam infinitamente no Facebook, sentem saudades crescentes a cada hora que passam sem se ver e fazem planos para o futuro. Metade deles sobre a vida adulta ideal, com um gato vira-lata chamado Fransuel e um buldogue francês de nome Boris, outra metade sobre fazer sexo na mesa de sinuca de alguém.

Nem um nem outro sabe ao certo onde isso vai desaguar, mas gostam de onde a aleatoriedade do universo os largou nesse dia dos namorados de 2011. Esses poucos milhares de caracteres podem ter feito muitos solteiros por aí vomitarem no próprio sapato – e os amantes vomitarem arco-íris e unicórnios pelo universo -, mas sabe o ponto central nisso tudo? Que o impulsionou a roubar aquele beijo, naquela avenida, e que a fez chorar silenciosamente por várias vezes? Admiração.

Nada como ver no outro cada coisinha que se admite faltar em si mesmo, ver futuro conhecendo presente e poder bater no peito pra dizer que aquela conquista, digam o que for, é mérito seu. Que ela é sua e você é dela, por piegas que soe.

E, agora sim, um feliz dia dos namorados aos leitores. Um beijo do casal brega.

  • Nota dos autores: Essa história é verídica e fala sobre o casal de colaboradores Camila Dias e Léo T. Motta, que adoraram contrariar o editor-chefe.

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Por Camila Dias e Léo T. Motta

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4 Responses to NEM EDUARDO, NEM MÔNICA

  1. Suelen says:

    Eu não acredito que haja amor no total comodismo, no completo perfeito, no invejável; sem muitos rolos e brigas e inconstâncias. Pra um início turbulento, era merecido o “fim” (ou melhor, a continuação) de um relacionamento bonito.

  2. says:

    Vomitei arco-íris lendo isso, SEUS LINDOS!
    hausihauishauishasuiahsuiahsuiahuiahuiahsuih

    melosos fofinhos, bela história :)
    :*

  3. Léo T. Motta says:

    Independe o que tu tava falando, legal é acender a faísca pra polêmica! Casais ronronantes vivem mais, dizem por aí.

  4. Thiago Momm says:

    Pô, que maldade a referência ao final do meu texto (http://tiny.cc/28d7u). Eu só estava falando sobre economia de palavras, não de sentimentos bonitosos. Ontem mesmo havia um casal meio ronronante ameaçando algo parecido com um tatibitate na Macarronada Italiana, em Florianópolis: eu e a namorada. A coisa mais brega e boa desse mundo.
    Haha.
    Abraços!

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