Pirão closer

Publicado em novembro 26th, 2012 | por Gabriella Figueiredo Santos

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NOMADISMOS

Longe de querer buscar explicações essencialistas ou enumerar uma lista de passos a serem seguidos, quero falar algo sobre as relações amorosas.

É um assunto que me persegue algumas vezes mais do que outras, e meus amigos acham, por algum motivo, que tenho as respostas para os conflitos dessa ordem.

Pois bem, não tenho soluções, mas andei pensando…

Tenho visto cada vez mais pessoas reclamarem de seus relacionamentos ou da falta de um, na esfera hetero ou homossexual. Então, não falarei a partir de um padrão heteronormativo, ensaiarei algo sobre relações entre pessoas, independente de seu sexo, gênero ou sexualidades…

As pessoas têm falado sobre a falta, falta de um parceiro ou parceira, falta de companhia para dividir os planos, para compartilhar os momentos mais banais do cotidiano. E aqueles que são comprometidos reclamam da falta de diálogo, de perspectiva de vida juntos, entre outras coisas, claro.

Mas a impressão que tenho é que todos estão em constante movimento. Em busca de algo que não sei se sabem exatamente o que é. Esse percurso instiga a construção de determinados sinais, que são como marcadores indicativos dos respectivos desejos. Porém, há situações em que a mensagem do emissor não corresponde aos anseios do receptor ou ainda, a interpretação pode ser contrária à intenção.

Mais fácil seria se partíssemos sempre do princípio de não territorialização dos amores. Relações não supõem garantias, a parte interessante é experienciá-las mesmo sabendo disso

A sensação é de instabilidade, mas e se pensarmos esses itinerários como nomadismos do desejo e das identidades? Empresto o termo de um antropólogo chamado Nestor Perlongher e peço licença para alargar generosamente suas categorizações. Este nomadismo implica exatamente a plasticidade em que vivemos entre um querer e outro, entre um ser e outro e entre uma sexualidade e outra. E onde está o mal nisso? Está na resistência ao desejo. É quando começam as reclamações, as insatisfações em relação a/ao parceira/o ou em relação à si mesmo.

Mais fácil seria se partíssemos sempre do princípio de não territorialização dos amores. Que também consequentemente autorizaria à reterritorialização em outros momentos. Relações não supõem garantias, a parte interessante é experienciá-las mesmo sabendo disso. Os pares mudam e outras tantas configurações tornam-se possíveis.

Talvez então, o caminho mais tranquilo seja o estabelecimento de uma fidelidade às subjetividades e aos desejos seus, de quem veio ou ainda virá


Sobre o Autor

Estudante de Ciências Sociais na UFSC, tem trabalhado com Antropologia. Estudou Comunicação e Estudos Culturais em Portugal e na Inglaterra.



6 Responses to NOMADISMOS

  1. Anônimo says:

    E se nesse constante movimento você deixa o amor passar? Você não pensa nisso?
    Deixar ir embora aquele pessoa que te chama de Nega bonita e diz que te ama toda noite ao dormir?
    Será que é tão importante dar ouvidos a esse “nomadismo do desejo e das identidades”.
    Ora, em algum momento isso deve se aquietar… e eu acredito que esse momento é quando atingimos a maturidade!
    E os desajustes, insatisfações, reclamações são acertadas com um boa conversa ao som de Gadu e regadas com muito amor depois…
    Gostaria de entender melhor essa sua ideia, quem sabe não escreve melhor sobre isso em um próximo texto?!

  2. Fran says:

    Alguns anos de terapia resolve! Enquanto isso, pare de dar conselhos aos seus amigos!

  3. Thiago says:

    Na verdade não estou pagando tanto pau para esse texto não.
    Versão mais unilateral essa de relacionamento. Se está bom, beleza. Se não está, adeus, foi bom até aqui mas não me serve mais.. meus desejos mudaram e agora vou procurar alguém que possa supri-los!
    Parece aquelas palavras típicas de pessoas que quebraram a cara no amor. Ok, também já passei por isso, e passei por essa fase de somente o que eu quero importa. Mas só funciona na teoria! Isso, como meu colega Marcelo falou, não é amor.
    Penso que o amor é algo maduro! Um dia quem sabe a gente descobre alguém por quem o desejo, o querer, pouco importa, desde que aquela pessoa esteja do seu lado. Eu ainda não encontrei, mas tenho esperança!

  4. PEdro pis says:

    Fosse fodástica!! Matasse o Pau!

  5. Marcelo says:

    Em resumo, melhor seria não fidelizar nada. O próprio desejo é tão volátil, não?
    Ao que não existe, criam-se manobras para dizer que “sim, existe!”.
    Se o amor é assim tão volátil, talvez o que tantos chamam de amor não passe de um simples desejo.
    Volatilidade é própria do desejo e do subjetivo. Falar em fidelidade a eles (desejo e subjetivismo), no sentido apresentado em seu texto, me parece um oxímoro.

  6. Cha Tonial says:

    A Gábi é dona das palavras mágicas =) sabe discorrer e se expressar muito bem com as mesmas.

    Seus textos sempre incríveis.
    Sou fã.

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