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Publicado em dezembro 22nd, 2011 | por Revista Naipe

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OCUPE O SEU LUGAR

[Por Camila Dias]

A história humana é recheada de revoluções que atingiram diretamente uma massa ao longo dos anos, influenciando a todos de forma indireta.

Da Revolução Francesa à Cubana, passando por maio de 1968 em Paris e os caras pintadas no Brasil, em 1992. Rebeliões, revoluções, agitações, gente tirando a bunda da cadeira. O século 21 começou revolucionando de forma diferente, nos prendendo à cadeira, e isso parecia nos levar a uma inércia sem fim.

Lembro das críticas sobre os jovens dos anos 2000, inertes para protestar. Pois bem, cá estamos em 2011, um ano que certamente entrará para a história. Talvez só daqui a duas décadas, mas entrará. Foi um ano importante para a cultura árabe, que já em 2010 começou a caminhar para mudanças com o protesto velado e inflamável de Mohamed Bouazizi, deslanchando na Túnisia  revoluções que se prolongaram até o Egito. A Espanha também ganhou reivindicações à procura de uma reforma política, sem contar o movimento Occupy, que levou milhares de jovens às ruas, ainda que tachados de vazios e sem causa específica, num protesto pacífico que invadiu o mundo.

Os protestantes contra o sistema financeiro que ocuparam Wall Street conseguiram atingir a máxima deste milênio, ou pelo menos da última década: sincronizaram seus protestos com a organização digital, ampliando alcance e objetivos através da internet, atingindo ativistas e representantes culturais do mundo todo. E o principal é a união, a forma como se organizaram sustentados por uma democracia baseada no consenso e na divisão de serviços, resultando em manifestações implacáveis e mais organizadas que muito congresso por aí. Não é a toa que o protestante foi nomeado Homem do Ano, estampado na capa de nada menos do que a revista Time.

No meio desse emaranhado de revoluções encontramos as plataformas online, que eram a causa da inércia no inicio do século e agora são a ferramenta prática para culminar todos esses protestos. De objetivos localizados aos mundiais, as redes sociais online estão servindo de apoio para o engajamento da população. Lógico que não poderia faltar a exceção à regra, liderada pelos que continuam colados à cadeira e apenas lotam seus feeds com verborragia barata de apoios traduzidos e preguiçosos, tal qual o caso da enfermeira com o Yorkshire e tantos outros animais mutilados que vêm parar diariamente nas timelines alheias.

Estamos em constante mudança e com uma rapidez imensurável. Aprendemos aos poucos como utilizar nossas extensões digitais em prol de nossos objetivos e levar isso às ruas. Tirar do coração e colocar nas mãos. O processo é constante e só agora entendemos quão úteis as redes são: não apenas como passatempo, mas também de forma organizacional. Acima de tudo, em 2011 aprendemos a nos desconectar. Compartilhar, transpirar e se envolver são fatores que devem andar juntos, mas só agora estamos aprendendo a tirar o monitor da nossa frente.


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