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Publicado em agosto 31st, 2012 | por Fabricio Finardi

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QUEM TIRA AS CASCAS DO SEU PÃO

Nas últimas décadas, as mães saíram dos lares para trabalhar e terceirizaram boa parte dos almoços, jantares e até cafés da manhã de seus maridos e filhos.

São poucas as crianças que ainda têm a felicidade de receber um “nescau” quentinho e uma bisnaguinha com presunto e queijo feitos pela própria matriz. Acostumados com comida sem-amor, os adultos agora se empilham em bufês, padarias, lanchonetes ou qualquer lugar que venda algo para saciar a fome rapidamente (vale até cachorro quente em cima de bueiro). Quando se leva em conta o número de estabelecimentos recém-criados, o setor de alimentos caminha a passos largos – apesar de ainda ainda pecar por falta de qualificação dos serviços e produtos oferecidos.

Mas você sabe quem torna tudo isso possível? Você conhece os responsáveis pelos calzones quentinhos, pães de queijo crocantes, pizzas com queijo abundante e hambúrgueres de carne de unicórnio? Provavelmente não. E existe um motivo muito forte para isso: os restaurantes/padarias/lanchonetes/supermercados de Florianópolis não fazem questão de mostrar e valorizar seus funcionários.

Você conhece os responsáveis pelos calzones quentinhos, pães de queijo crocantes, pizzas com queijo abundante e hambúrgueres de carne de unicórnio? Provavelmente não. Os estabelecimentos de Florianópolis não fazem questão de mostrar e valorizar seus funcionários

Na Europa os chefs de cozinha, padeiros e demais moradores das masmorras gastronômicas são tratados como artistas. Em São Paulo já é grande o número de restaurantes celebrados exclusivamente pelo nome de quem comanda as panelas. Alex Atala é dono do 4º melhor restaurante do mundo e ele é brasileiro!

Enquanto isso, em Florianópolis tudo parece caminhar na contramão. São raras as cozinhas em que sequer é possível observar os cozinheiros trabalhando, como se isso fosse um grande constrangimento ou incomodo para os clientes. Nomes dos chefs nos cardápios, letreiros, sites, muros? Nomes dos responsáveis pelas receitas? Pode esquecer. A não ser, é claro, que o chef seja dono do restaurante, filho ou algo do tipo.

Sim, grande parte da comida que você ingere é diretamente planejada, manipulada, cortada e servida por pessoas que você nem se dá ao trabalho de saber o nome. Essas pessoas trocam natal, páscoa, ano novo, almoços e jantas com a família para que você consiga comer em 15 minutos sem levar esporro do chefe.

Não, você não precisa aplaudir quando alguém te entregar uma esfiha. Um simples “muito obrigado, a comida estava boa” já mudaria o dia de muitos cozinheiros. Inclusive o da sua mãe.

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Sobre o Autor

Estudante de gastronomia apaixonado por farinha e fermento. Dirige exclusivamente motos e foge sempre que tem a oportunidade.



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