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Publicado em junho 21st, 2013 | por Luisa Nucada

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SALVE, SIMPATIA

[Foto: Aramis Merki II]

Quem chegava ontem ao Espaço Floripa pela avenida Paulo Fontes, por volta das 23h, podia ver a comprida fila de carros parados.

Não muito longe das pontes ocupadas pelos manifestantes, Jorge Ben Jor sacudiu a noite da ilha para um público heterogêneo e empolgado, cuja faixa etária variava dos 18 aos 65 anos.

Tinha gente de tudo quanto é tipo. Moças de roupa justa e salto alto, outras com moletom amarrado na cintura e all star. Algumas cabeças com dreads, muitas camisas xadrezes. Casais de meia-idade, gringos, um rapaz com a camisa da seleção brasileira, outro com a do MST. Eclética também foi a discotecagem, que incluiu Tim Maia, Skank, Rita Lee, Kid Abelha e pareceu agradar a turba toda.

Mas à uma da manhã, o povo, reivindicativo que estava, começou a vaiar a demora do espetáculo. Ecoaram alguns gritos de “amanhã é sexta-feira e eu trabalho cedo”, mas os protestos foram pacíficos e não havia “minoria vândala”. Após duas horas e meia de atraso, sobe ao palco Jorge Ben Jor anunciando que “a banda do Zé Pretinho chegou pra animar a festa”.

Aí foi só alegria.

O público estava tão próximo do palco que se podia ver o tênis do cantor, que tinha uns dois dedos de salto. A roupa de Jorge e os instrumentos musicais estavam repletos de referências a São Jorge e seu dragão.

“Gostosa, gostosa, aqui só tem gostosa”, cantou Jorge, enquanto moças o beijavam no rosto, tiravam fotos e desciam até o chão.

O cantor mandava a produção tirar as luzes de cima dele e interagia bastante com a banda, toda vestida de branco. Tocava virado para os músicos, dava instruções a eles. Se Jorge vacilava, o tecladista segurava o vocal. Atração à parte foi o percussionista, que parecia um irmão mais velho de Jorge e arrasou no solo de cuíca. Tocava afoxé, tamborim e meia lua cheio de ginga e malandragem, arriscando de hora em hora uns passinhos de samba. Houve quem reclamasse da qualidade dos equipamentos de som e da microfonia, que se manifestou um par de vezes.

Além das obrigatórias País Tropical e Taj Mahal, chegaram os alquimistas, a menina-mulher da pele preta e o homem da gravata florida, no que Jorge vestiu, vejam só, uma gravata florida. Para alegria geral do público, cantou Do Leme ao Pontal e, em algum momento entre o guaraná e a goiabada da sobremesa, houve uma inesperada participação especial. Invadiu o palco uma morenaça de cabelo a la Vanessa da Mata e saia peplum amarela. Deu alguns passos de dança meio trôpegos e logo foi convidada a se retirar pelo segurança. O público não deixou por menos: vaiou e gritou “Volta! Volta!” até a morena retornar ao show.

Na música seguinte, Jorge convidou uma dúzia de mulheres da plateia para integrar o espetáculo junto à celebrada morena. “Gostosa, gostosa, aqui só tem gostosa” ele cantou, enquanto as moças o beijavam no rosto, tiravam fotos e desciam até o chão.

No final das duas horas e meia do show, Jorge anunciou que mais cedo estivera na passeata e dançou com cada uma das moças que saracoteavam no palco. Pura simpatia, salve, salve.


Sobre o Autor

Goiana, cruza de japonesa com baiano, estudante de jornalismo. Alimenta-se de histórias e escoa aqui e em www.anucadadisse.blogspot.com sua tagarelice mental.



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