Pirão 13

Publicado em março 8th, 2013 | por Stefano Maccarini

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UM MÊS DEPOIS

A obrigatoriedade de ser/estar feliz no carnaval leva boa parte do país a alterar seu estado mental de qualquer maneira possível durante o período de reinado do Rei Momo. Tentando resgatar esse sentimento de brasilidade e malemolência , decidi passar meu carnaval em Laguna, acampando na casa de uma amiga, com 40 caixas de cerveja, alguns quilos de salsicha e pão.

Na sexta choveu, no sábado faltou luz. A concentração de gente havia sido mudada pra avenida que corre junto a praia, onde uma profusão de entradas exclusivas para VIPs e gente com abadá se formava. Carros de som não podiam transitar por boa parte da avenida, não havendo aquela sensação de mudar de rádio a cada três passos, sobre a qual tanto me haviam alertado.

No domingo, o desfile do Bloco da Pracinha faz com que boa parte da população carnavalesca da cidade se sinta mais feminina. A folia de rua estava lá, a brasilidade, aquela gente travestida, aquela música boa que só fica melhor com a ingestão alucinada de cerveja.  Tem que ser um baita de um chato pra não se deixar envolver por refrões com uma métrica tão perfeita como “180 180 360”.

Seguindo a procissão, em um certo momento meu grupo para pra descansar. Um sujeito me pede um cigarro, eu lhe entrego. Um diálogo se inicia e em dez segundos dois corpos ao meu lado rolam no chão. Minha cabeça é jogada pra esquerda, coloco a mão no rosto e só vejo tudo vermelho.

Ambulância, hospital, delegacia, acampamento. Acampamento, pizza, BR.

Acho que tenho que parar de fumar.

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Sobre o Autor

Fotógrafo wanabe, estudante de engenharia, baterista sem ritmo, acha que morar fora do Brasil é bom mas é uma merda, e morar no brasil é uma merda mas é bom.



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