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Publicado em novembro 19th, 2010 | por Revista Naipe

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APOCALIPSE NOW

Evento universitário Comunica Beach, na Ferrugem, teve jurupinga e patoladas liberadas


Por Mariana Porto*

19/11/10

“Ah! que bom seria se integração virasse putaria” foi o primeiro grito de torcida na arena de jogos montada na praia da Ferrugem, em Garopaba. Era início da tarde do último sábado.

Estava dada a largada para os três dias mais ensandecidos do ano – ou pelo menos era essa a promessa de quem já havia participado de edições anteriores do Comunica Beach, agora na terceira edição. Naquele começo de tarde, a maioria das pessoas ainda estava razoavelmente sóbria, mas já havia hormônios e um certo prenúncio de malinagem no ar. Os primeiros jogos de futebol e vôlei aconteceram, e uma porrada de times foi logo eliminada: “Nóis não ganha, mas nóis bebe / se ganhar foi sem querer”.

Ótimo. Era a desculpa que precisavam para encher a cara até segunda-feira. Ou não, já que no Comunica jogar sóbrio é para os fracos. De dia, na arena, a pedida era beber muita cerveja, se integrar com outras universidades e torcer para seu time ou pra qualquer outro – de preferência, contra a PUC: “Explode seu cartão na maior mensalidade / É lindo ver seu pai pagando a sua e a minha faculdade”.

À noite, na primeira festa, confusão na entrada. Um verdadeiro funil humano se formou no único acesso para o campo de futebol. Algumas moças juraram terem sido violadas ali mesmo. Pronto, agora não tinham mais a desculpa da primeira vez. “Ada-aada, ela é puta graduada”.

Lá dentro, apesar da overdose de reggae, a animação foi garantida pelo openbar de cerveja. A bebida foi servida gelada, praticamente sem filas e ininterruptamente até algo como 5h30 da manhã. Não dava pra botar defeito. Beijos duplos, triplos, revezamentos de uma vítima entre amigas e muita falta de pudor numa festa em que as meninas faziam xixi até fora dos banheiros químicos. Deve ter rolado algum after na praia, mas isso a uns 2 km da festa. Quando amanhecia, meu corpo preferiu me levar para a pousada.

Open jurupinga

No segundo dia, o clima da arena era outro. Todo mundo ainda estava meio bêbado do dia anterior, o que só se agravou com o calor e o bar logo ali do lado.

A euforia era generalizada. As disputas nas partidas e entre as torcidas se acirraram. “Chupa aqui, Puquiana!”, berrava gesticulando uma maluca ao lado de uma jogadora da PUC prestes a sacar. As baterias entoavam cantos ouco gentis às equipes alheias. Nas dunas próximas, amassos.

Esse, sim, era o Comunica Beach! Garotos serelepes rabiscavam “UEL ♥” com pincel atômico nas meninas. As da UFSC se empolgaram com a brincadeira e logo podiam ser vistas cruzando os braços acima da cabeça com os dizeres “Blow Job”. Sorte do público masculino – àquela altura, elas carregavam a fama da torcida mais gostosa do Brasil.

A coisa toda evoluiu exponencialmente até a atração mais esperada do evento: o show do Monobloco com openbar de vodka e jurupinga. A fila, desta vez dividida em homens e mulheres, continuava desorganizada, mas agora com as pessoas muito mais alegres, amistosas e cantando os velhos hinos já conhecidos da arena. A abertura, feita pelo DJ Kilmister, esquentou os motores para a atração principal com sons que iam do hip hop ao eletrônico. Quando o Monobloco subiu ao palco, a euforia dominou o público mais mal alimentado, mal dormido e bem embebedado de Santa Catarina – sim, mais ainda do que os do Folianópolis!

Naquela noite, a previsão era de chuva.

São Pedro bem que tentou estragar a festa com uma garoinha, mas o que choveu mesmo foi Jurupinga ao som de Taj Mahal. Quando decidi ir embora, porque meu corpo simplesmente não suportava mais, eram 5h da manhã. Ao deixar a festa, percebi que a luz tinha acabado na cidade toda. Perfeito para coroar os intercâmbios entre pousadas.

Na segunda, as finais aconteciam na arena. O locutor anunciava as excursões que estavam partindo. A sobriedade do sábado tinha sido substituída pela ressaca moral e pelo cansaço. As torcidas foram se calando, recolhendo suas baterias, mas dentro de cada um certamente havia a sensação “Ah, que bom seria se o Comunica fosse todo dia!”

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*Mariana Porto é estudante de Jornalismo da UFSC

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Sobre o Autor



8 Responses to APOCALIPSE NOW

  1. Babi Bassani says:

    “Ah, que bom seria se o Comunica fosse todo dia!”
    A depressão pós-comunica não passa!! Será que demora muito para 2011? Quero isso todos os dias!!

  2. Gabriela Porto says:

    Bom dimais da conta….até eu vo ano que vem agora!!!!

  3. Inara says:

    ‘quero voltar pra garopaba’ depois de uma semana é essa a frase que mais escuto dos meus amigos que foram comigo ao Comunica. Bom demais!

  4. Francisca Nery says:

    É com um texto assim que bate ainda mais aquele sentimento pós-Comunica! Muito bom, Mari! Comunica 2011, chega logo!!!

  5. Luisa Nucada says:

    Comunica bom demais! Mari, vc arrasa!

  6. Diego says:

    Ahahaha, muito bom Mari. O comunica foi bem por aí mesmo.

  7. isadora m. says:

    Ai que bom seria MESMO se o Comunica fosse todo dia!
    Mal posso esperar pelo ano que vem..

    Mari, o texto resumiu perfeitamente o espírito, quem não foi perdeu.

  8. Luanna Hedler says:

    ANIMAAAL!
    Foi exatamente esse o espírito do Comunica.
    Muito bom, Mari!

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